Nervos de Aço, de Paulinho da Viola | Encarte na Faixa

Audiodescrição da capa e leitura da ficha técnica do álbum Nervos de Aço, de Paulinho da Viola (Odeon), lançado em 1973.

Sugestão: Manoel Negraes

Descrição: Amanda Nicolau

Consultoria: Felipe Mianes e Kamila Tavares

Locução: Cínthia Gomes

Edição de vídeo: Diniz Candido

Uma iniciativa Encarte na Faixa.

 

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O cantor, compositor e instrumentista Paulo César Batista de Faria (12/11/1942), o Paulinho da Viola, nasceu no Rio de Janeiro onde, desde cedo, teve o privilégio de conviver com grandes nomes da música brasileira, como Pixinguinha e Jacob do Bandolim, com quem seu pai, o violonista Benedito César Ramos de Faria, tocava no histórico Época de Ouro.

Com apenas 21 anos de idade, ingressou na Portela, levado por seu tio Oscar Bigode, diretor de bateria da escola de samba, e começou a se apresentar no Zicartola, restaurante de Dona Zica e Cartola no Centro do Rio de Janeiro, ao lado de Zé Keti, amigo que com Sérgio Cabral o apelidou de Paulinho da Viola.

Entre 1965 e 1966, participou, com Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, Zé Kéti, Anescarzinho do Salgueiro e Nelson Sargento, do conjunto “A Voz do Morro” e, ao lado de Nelson Sargento, Elton Medeiros, Anescarzinho do Salgueiro, Clementina de Jesus, Jair do Cavaquinho e Araci Cortes, participou do musical "Rosa de Ouro", de Kléber Santos e Hermínio Bello de Carvalho. Foram registrados cinco discos dessa época, ao mesmo tempo em que a Portela vencia o carnaval de 1966 com um samba de sua autoria, "Memórias de um sargento de milícias".

Em 1973, o sambista lançou seu sexto disco solo, “Nervos de Aço” (Odeon), com arranjos de Lindolfo Gaya, Copinha, Cristóvão Bastos, Nelsinho e do próprio artista. O álbum traz a belíssima capa criada por Elifas Andreato, que retrata o momento emocional de Paulinho da Viola após uma separação amorosa.

Porém, não é somente a capa que reflete a desilusão pessoal vivida por Paulinho na época. As dez gravações, a maioria de outros compositores, além de uma maturidade musical, com o uso de experimentações inovadoras e instrumentos nada convencionais no samba, também apresentam um mergulho maduro na condição humana.

Destaco as gravações de "Não quero mais amar a ninguém", de Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda (dizem que com o lendário Don Salvador tocando cravo, informação que não consta no encarte), "Sonho de um carnaval", de Chico Buarque, “Nervos de aço”, de Lupicínio Rodrigues, e as minhas preferidas – ambas de Paulinho – “Roendo as unhas”, com sopros mágicos do trombone de Nelsinho e a flauta de Copinha, e “Comprimido", na qual, com singular interpretação, o compositor toca em um tema delicado, o suicídio.

Enfim, um disco marcante e histórico na carreira de Paulinho da Viola, que ao lado de parceiros como Sergio Natureza, Capinam, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, alcançou os 50 anos de carreira sendo considerado um dos maiores sambistas de todos os tempos.

 

Fontes:

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Samba de Raiz: sambaderaiz.net

Cultura Brasil: culturabrasil.cmais.com.br