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Exposição do chinês Ai Weiwei fica em cartaz até 28 de julho


Do lado de fora do Museu Oscar Niemeyer (Rua Marechal Hermes, 999), em Curitiba, uma obra chama a atenção de quem passa pela rua. São 1254 bicicletas entrelaçadas, apenas por encaixe, como blocos de construção, numa impressionante instalação de nove metros de altura assinada por um dos artistas contemporâneos mais importantes, o chinês Ai Weiwei. É a Forever Bicycles (Bicicletas Forever), que integra a exposição "Ai Weiwei Raiz", a maior já realizada pelo artista e a primeira no Brasil.

Mas esta primeira experiência do lado externo do museu é apenas uma amostra do que o visitante vai encontrar lá dentro. No Salão Principal do Olho, cerca de 60 outras obras chamam atenção pela criatividade e pelas mensagens impressas em formatos diferentes e materiais no mínimo curiosos.

Dentre as obras e instalações, destaca-se "Grapes" (Uvas), composta por 32 bancos da Dinastia Qing unidos por meio de técnicas tradicionais de marcenaria chinesa, sem utilizar prego ou cola. A instalação faz parte de uma série de trabalhos em que o artista subverte o uso original de um móvel.

Fotos: Marcello Kawase e AEN

Em "Taifeng", o público confere peças confeccionada em bambu e seda, numa técnica tradicional de fazer pipas. Mas aqui, transformam-se num personagem inspirado pelo Shanhaijing, texto clássico do século 4 a.C. Nele, criaturas mitológicas refletem ideias maiores que a nossa capacidade de entendimento.

Já em "Moon Chest "(Cofre da Lua), há um jogo de imagens, sugerido numa série de cofres feitos com a preciosa madeira Huali, o marmelo chinês, a partir da tradicional técnica de marcenaria chinesa. Os cofres apresentam as quatro fases da lua aos visitantes que interagem com a instalação.

Outra obra que chama atenção é "Vases with a Refugee Motif as a Pilar" (Vasos Empilhados com Motivos de Refugiados).

Na mostra, o público também confere "Sunflower Seeds" (Sementes de Girassol), trabalho composto por milhares de sementes de girassol de porcelana pintadas à mão por artesãos chineses, a maioria mulheres, abordando a questão da produção em massa e da perda da individualidade;

Ou ainda, "Blossom" (Florescer), que foi criada como um protesto, pelo artista ter seu passaporte confiscado algumas vezes. Então, todos os dias Ai Weiwei colocava flores na cesta de sua bicicleta, fotografando e replicando as imagens nas redes sociais, que viralizaram. Uma instalação com delicadas flores de porcelana retoma esse período.

A obra "Law of the Journey" (Lei da Viagem - Protótipo B) é outro destaque. Mostra um enorme barco inflável com tripulantes, fazendo alusão à crise global de refugiados. Pesquisador do assunto, Ai Weiwei já viajou para 40 campos de refugiados e produziu o documentário Fluxo Humano (Human Flow), exibido na mostra.

Realizada pelo MON e apresentada pela Copel, a exposição fica em Curitiba até 28 de julho e foi viabilizada pelo Governo do Estado do Paraná. Ai Weiwei é reverenciado como um dos grandes nomes da cena contemporânea mundial e notório devido ao interesse que demonstra pelas questões sociais e humanas. A exposição Ai Weiwei Raiz foi produzida por Marcello Dantas, que também assina a curadoria.

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