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João Cavalcanti assina produção musical do novo álbum do Grupo Fato


Compositor, cantor, jornalista, ele já assinou a produção de um álbum reunindo nomes como Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Pato Fu e Elza Soares (“Toda Cor”). João Cavalcanti, filho do também músico Lenine, agora assina a produção do novo álbum do grupo curitibano Fato. Cavalcanti estará na capital paranaense entre os dias 18 e 28 de novembro para acompanhar a gravação, que será realizada no estúdio próprio do grupo no bairro Cajuru, em Curitiba.

FOTO: FLORA PIMENTEL

Este não é o primeiro flerte do Fato com João. Há cinco anos, o grupo Fato no disco “Próximo” (2014) a canção “Indivídua”, composta por João em parceria com Pedro Luís e que vem a ser a sua composição mais replicada por músicos do país. “De certa forma, foi o Fato que começou esse movimento”, conta o compositor, que no mesmo ano interpretou a canção “Bandida”, composta por Ulisses Galetto e Grace Torres, do Fato.

Cavalcanti foi apresentado ao grupo pelo próprio Pedro Luís, que produziu o disco de 2014 e fez uma série de participações especiais em shows do grupo desde então. O músico e ator Alexandre Nero, que já foi integrante do Fato, também foi responsável por essa aproximação, além, é claro, do próprio pai, Lenine, que também já interpretou uma música do Fato. Afinal são 25 anos de estrada para um dos grupos curitibanos mais consistentes e longevos.

“Nós temos uma afinidade artística muito grande e sobretudo uma maneira de pensar a música, como um veículo de aproximação das pessoas, muito semelhante”, diz Cavalcanti sobre o convite para produzir o álbum.

Para ele, encontrar pessoas e artistas que pensam de forma semelhante nessas andanças da vida, seja pessoal ou profissional, é uma prioridade. “Estamos aprisionados em um recorte de tempo e lugar, mas não precisamos ter limites regionais ou de gerações para encontrarmos nossos pares”, comenta.

Em Curitiba, mas no mundo

Cavalcanti se refere à realidade do Grupo Fato de utilizar semânticas extremamente regionais como simbologia de expressão musical. Linguagens artísticas que remetem à cultura paranaense.

“Eu acho lindo, verdadeiro e autêntico o fato deles não estarem dispostos a fazerem certas concessões em nome de uma nacionalização mais radical do trabalho. E fico muito feliz em perceber o interesse real de aguçar a atenção sobre a comunicabilidade deste trabalho no mundo. Acho que é aí que eu entro. Não para fazer concessões, mas para somar ao que eles são e construíram”, explica Cavalcanti.

Ele exalta a capacidade técnica e artística do grupo e ressalta que seu papel como produtor será o de “emprestar um ouvido sensível” para afinar ainda mais a produção do Fato. “E nós o escolhemos justamente por isso: porque temos uma afinidade artística e estética muito grande com o trabalho dele”, afirma Grace Torres.

Pela primeira vez na trajetória do grupo, serão três vozes femininas. O acordeon e a percussão corporal também são novos elementos que estarão presentes. No novo álbum, o Fato vai gravar 13 músicas inéditas, que vão marcar os 25 anos de (r) existência do grupo. E até por todo tempo esse tempo e trajetória, é possível esperar um retrato poético e provocativo da realidade em que o país vive, conforme afirma Ulisses Galetto.

“Estamos comemorando nossa maturidade e as músicas refletem um pouco do que a gente está vivendo no país e no mundo, as nossas perspectivas e as nossas lutas presentes. E acho que isso está no disco porque é extremamente importante a gente se espelhar no nosso tempo para nos expressarmos”, finaliza Galetto.

SOBRE O GRUPO FATO

Quinteto curitibano criado há 25 anos, o Grupo Fato desenvolve pesquisas que resultam em uma sonoridade única e peculiar. Além de reunir diversas premiações musicais, como o recente Prêmio Profissionais da Música, segundo lugar na categoria Criação - Groove e Pop 2019. Tem parcerias com os mais importantes e criativos músicos nacionais, como Pedro Luís, Alexandre Nero, Antonio Saraiva, Lenine e agora João Cavalcanti.

Assista:

Indivídua (Pedro Luís e João Cavalcanti)

Grupo Fato com Grace Torres, Ulisses Galetto, Daniel Fagundes, Priscila Graciano e Sérgio Monteiro Freire. Programa Tubo de Som - ÓTV 2014

Desde de sua formação, em 1994, o grupo já gravou oito álbuns, dois DVDs, 1 livro de partituras e diversos vídeos. Em 2014 o álbum “Próximo” conquistou a 28ª posição entre os 100 Melhores Lançamentos da Música Brasileira de 2014 do site Embrulhador.com, do jornalista Ed Félix. O CD teve Produção Musical de Pedro Luís e participações de Lenine e João Cavalcanti, entre outros.

Para o biênio 2019-2020, o Grupo prepara o novo disco, com produção de João Cavalcanti, quatro novos videoclipes, uma turnê Mercosul (Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires e Curitiba), um show comemorativo no Teatro do Paiol com Antonio Saraiva, e uma apresentação nas comemorações dos 60 anos da Orquestra do Colégio Estadual do Paraná.

É característica do Fato a exploração de combinações sonoras aliando e mesclando elementos de culturas tradicionais, instrumentos convencionais e intervenções eletrônicas. Merece destaque a utilização dos sons percussivos dos tamancos de fandango paranaense, inseridos na música urbana como instrumentos musicais, sejam usados nos pés ou transformados na tamancalha (batedor manual de tamancos criado pelo músico Zé Loureiro Neto para o Grupo Fato no início dos anos 2000).

O Grupo é formado por Grace Torres (teclados / voz / tamancos e tamancalha), Ulisses Galetto (baixo / voz / tamancos e tamancalha), Priscila Graciano (percussão / bateria / voz / tamancos e tamancalha), Daniel Fagundes (voz / guitarra / percussão/ tamancos e tamancalha) e Andrezza Prodóssimo (voz/ acordeon / teclados / percussão corporal / tamancos e tamancalha).

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