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Documentário mostra Renato Russo, por ele mesmo

Produção também deve entregar série para a TV, mas sem data prevista para estreia.

Renato Russo | Foto: Ricardo Junqueira

A Gávea Filmes assinou com Legião Urbana Produções contrato de exclusividade e autorização para produzir um documentário sobre a vida de Renato Russo a partir do acervo do compositor. Considerada como a maior recuperação de objetos de um artista brasileiro, os pertences de Renato foram expostos em 2017 no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo. A mostra, vista por milhares de pessoas, foi eleita pelo público como a Melhor Exposição do ano, em votação promovida pelo Guia da Folha, do jornal Folha de S. Paulo.


“Será o Renato falando dele mesmo”. É assim que a produtora Bianca de Felippes, da Gávea Filmes, resume a ideia do documentário que começou a produzir no início 2021 sobre a vida e obra do líder da Legião Urbana. É um feito inédito, que se realiza quase 25 anos após a sua morte. Sem depoimentos. Sem ouvir o que os outros falaram e falam dele. Chegou a hora de conhecer Renato pelo olhar do Júnior.


Bianca não mede esforços nem esconde a emoção em dizer como isso será feito: tem, em mãos, um acervo de mais de seis mil itens pessoais do próprio Renato – direitos de uso concedidos pela Legião Urbana Produções. Será a primeira vez que alguém tem autorização para fazer uma obra cinematográfica sobre Renato Russo tendo como fonte o acervo pessoal do compositor. “É uma honra e uma responsabilidade”, confessa.


Entre roupas (como a famosa bata branca), objetos (como a coleção de anjos e o baralho de tarô), móveis, desenhos, fotos e gravações, os raros e íntimos diários, cadernos e manuscritos em geral. “Foi o que mais me chamou a atenção”, revela Bianca. Essas páginas íntimas e cheias da essência lírica, poética, musical, emocional e espiritual de Renato Russo serão abertas e apresentadas ao público em geral. Bianca tem um desafio nas mãos, mas muita admiração no coração.


Bianca tem 55 anos, é uma gaúcha que cresceu no Rio e amante do rock. Foi adolescente nos anos 80, sabe todas as músicas, tem todos os discos. Mas ela foi mais do que uma fã que assistiu shows da Legião Urbana no Circo Voador e entoou os versos das canções compostas por Renato.


“É intrigante como ele produziu tanta coisa, como era tão inteligente. Tinha muitas referências em uma época sem internet. Era muito organizado, tudo anotado. Tem diário dele desde os anos 1970. Esse documentário é muito sobre o processo criativo, especialmente a partir dos diários, para conhecer um pouco da mente por trás do gênio. Quem era esse artista que criava obras que vão ficar eternamente?” Diariamente me pergunto isso e sempre me surpreendo”, acrescenta a produtora.

A partir dessa admiração, iniciaram projetos sobre a obra do Renato. Desde 2016, produz o espetáculo Renato Russo – O Musical, que está há 15 anos em cartaz, já percorreu mais de 50 cidades e foi assistido por quase 500 mil pessoas.


“Tem quase 25 anos que ele morreu e não tem uma apresentação de casa vazia”, diz. Ela foi produtora dos filmes Faroeste Caboclo (2013) e Eduardo e Mônica (ainda sem data de estreia), dirigidos pelo diretor brasiliense René Sampaio.


"Como a gente é muito fã, quando fazemos uma obra do Renato Russo, a primeira coisa que vem na nossa cabeça é pensar no que ele acharia, se endossaria nosso trabalho. Porque não é uma reprodução literal, é uma obra a partir de outra obra. Muita gente acha que é um filme pronto, mas, por exemplo, a gente tem o cuidado de não usar no roteiro frases da música. Sabemos que quando vem a canção, é algo tão forte que pode tirar o espectador do filme. Ao mesmo tempo, a gente precisa ser fiel a ela”, conta.

O trabalho terá dois resultados: um documentário para cinema e uma série para TV para aprofundar alguns temas. Ainda não há previsão de conclusão.


Informações: Karlene Vieira

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