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Espetáculo sobre a solidão contemporânea tem curta temporada online, a partir de 15 de abril

"Condomínio Visniec" tem Ana Clara Fischer, Felipe Souza, Mônica Rossetto, Rafael Levecki, Rogério Pércore e Suzana Muniz.

Foto: Ronaldo Gutierrez

Considerado um dos principais representantes contemporâneos do Teatro do Absurdo, o dramaturgo romeno Matéi Visniec tem seis de seus monólogos visitados pelo espetáculo Condomínio Visniec, com direção de Clara Carvalho, que estreia temporada on-line de 15 a 25 de abril pela Plataforma Teatro – www.plataformateatro.com. As sessões acontecem de quinta a domingo, com ingressos gratuitos.

A encenação é resultado de um processo de pesquisa sobre a obra do autor romeno, desenvolvido por Clara Carvalho desde 2015 numa oficina de atores profissionais do Grupo TAPA. O elenco é formado por Ana Clara Fischer, Felipe Souza, Mônica Rossetto, Rafael Levecki, Rogério Pércore e Suzana Muniz.

O espetáculo estreou em março de 2019 no Sesc Ipiranga, em seguida cumpriu temporadas na Oficina Cultural Oswald de Andrade e no Viga Espaço Cênico. Foi indicado ao prêmio APCA pela direção de Clara Carvalho e em cinco categorias ao Prêmio Aplauso Brasil de melhor direção, melhor espetáculo e melhor elenco e melhor produção independente.

A montagem é inspirada em seis monólogos de Visniec – O Corredor, O Homem do Cavalo, O Adestrador, O Homem da Maçã, A Louca Tranquila e O Comedor de Carne – reunidos na coletânea de peças O Teatro Decomposto ou O Homem – Lixo. Todos esses personagens de contornos surrealistas que dão nome aos solos são criados na encenação pela figura de uma escritora que escreve compulsivamente. “A figura da escritora surgiu a partir de um dos personagens da coletânea, O Corredor. Na trama, é como se ela criasse essas figuras e, ao mesmo tempo, as criaturas também a recriassem”, explica Clara Carvalho.

A partir de um mergulho no conflito interno dessa escritora, surgem em cena criaturas híbridas (meio humanas, meio animais), que povoam a imaginação da autora, gerando esse condomínio. Elas trazem à tona a solidão, os desejos, as angústias, as obsessões, os impulsos predatórios e a busca por uma possível redenção.

“A peça é uma meditação poética sobre a condição humana e a possibilidade de superação dos nossos conflitos, para que possamos derrubar os muros que nos dividem e caminhar em direção a uma sociedade menos predadora, devoradora, agressiva e solitária. A história desemboca em um amanhecer de frente para o mar, depois de uma travessia cheia de paisagens internas turbulentas. Mas esse universo sombrio se dissipa, aponta para a esperança. Visniec é um autor sempre bem-humorado e delicado que tenta abraçar a humanidade e tem enorme compaixão. É o que sempre me encantou na obra dele”, acrescenta a diretora.

Com atmosfera onírica e surrealista, a encenação adota como referências visuais os quadros de alguns pintores, como o expressionista Edvard Munch (1863-1944) e o surrealista belga René Magritte (1898-1967). Além disso, a trilha sonora delicada, criada por Mau Machado especialmente para a peça, tem inspiração na obra do compositor estoniano Arvo Pärt (1935). Os figurinos de Marichilene Artisevskis remetem aos anos de 1950 e também fazem alusão ao universo dos pintores mencionados.

Já o cenário minimalista é composto apenas por uma mesa e cinco cadeiras, que ganham diferentes significados ao longo da encenação. A iluminação, feita por Vagner Pinto, é responsável por criar essas atmosferas oníricas que representam o universo interno de cada personagem.

Serviço:

CONDOMÍNIO VISNIEC

Temporada On-line de 15 a 25 de abril – Quinta a sábado, às 20h. Domingos, às 18h.

Transmissão: Plataforma Teatro – www.plataformateatro.com

Ingressos: Grátis.

Duração: 55 minutos.

Classificação: 14 anos.


Sobre Matéi Visniec

Nascido em 29 de janeiro de 1956 em Radauti, na Romênia, Matéi Visniec vivenciou a ditadura de Ceausescu. Ainda jovem, deixa sua cidade e vai para a capital Bucareste estudar filosofia. Acreditava que o teatro e a poesia podiam denunciar a manipulação do povo por meio das grandes ideologias. Em 1987, é reconhecido na Romênia por sua poesia depurada, lúcida, ácida, mas ainda proibida para o palco. Aos 31 anos, muda-se para a França. Em apenas três anos, começa a escrever em francês e converte a sua limitação na língua em elemento criativo. Paris passa ser a sua pátria mental. É um escritor da resistência, nunca escreveu peças comerciais. Escreve poesia e romance em romeno, mas teatro, sempre em francês. Visniec tem parentesco com o surrealismo e com o teatro do absurdo. Suas peças cheias de humor (muitas vezes um humor negro) e silêncios são editadas e encenadas em diversos países.

Sobre Clara Carvalho

A atriz e diretora formou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). Atriz do grupo TAPA de teatro desde 1986. Dirigiu os espetáculos Ricardo III ou Cenas da Vida de Meierhold (2019, CCSP); A Reação, de Lucy Prebble (2015, teatro Vivo); A Máquina Tchekhov, de Matéi Viscniec, em 2015 (indicada ao Prêmio APCA 2015 de melhor Direção e Melhor Espetáculo e Prêmio Aplauso Brasil 2015 de Melhor Espetáculo e Melhor Elenco); Órfãos, de Dennis Kelly, em 2011 (montagem vencedora do Festival de Teatro da Cultura Inglesa de São Paulo) e Valsa Nº 6, de Nelson Rodrigues, em 2009.

Ficha técnica:

Texto: Matéi Visniec. Direção: Clara Carvalho. Elenco: Ana Clara Fischer, Felipe Souza, Mônica Rossetto, Rafael Levecki, Rogério Pércore, Suzana Muniz. Tradução: Luiza Jatobá. Assistente de Direção: Mau Machado. Figurino: Marichilene Artisevskis. Música Original: Mau Machado. Desenho de Luz: Wagner Pinto. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Design Gráfico: Mau Machado. Fotos: Ronaldo Gutierrez. Fotos (registro processo): Roberto Lajolo. Operação de Luz: Dida Genofre. Operação de Som: André Bedurê. Adereços: Luis Carlos Rossi. Costura e Modelagem: Judite Gerônimo de Lima. Costura de Enchimento: Paula Gaston. Alfaiate: Miguel Angel Arua. Envelhecimento: Foquinha Cris. Direção de Produção: Selene Marinho /SM Arte e Cultura. Coordenação de Produção: Ariel Cannal. Produção Executiva: Marcela Horta / SM Arte e Cultura.

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