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Grupo Folclórico Holandês de Castrolanda, há 67 anos preservando tradições

Apresentações resgatam antigas danças com tamancos de madeira.|


As coreografias são animadas e exigem bastante fôlego dos participantes. Mas o desafio maior de encarar uma dança holandesa, do começo ao fim, também se dá pelo fato do uso dos tamancos de madeira. Para quem vê de fora parece desconfortável, mas para quem participa do grupo folclórico garante que além de leves, seu uso com meias é bem agradável.


A peça costuma pesar em torno de 350 gramas cada e é uma característica marcante no figurino. Claro, sem contar o uso do Hull (touca) pelas mulheres, e de uma boina pelos homens.



Das doze províncias da Holanda, o grupo adota os trajes da região pesqueira de Volendam, localizada ao norte daquele país.


Fundado em 1953 aqui no Brasil, na comunidade da Castrolanda, em Castro (PR), o grupo reunia de início jovens da colônia holandesa, interessados em expressar sua cultura com danças, canções e outras atividades.


Desde que surgiu em Curitiba no ano de 1959, o Festival Folclórico de Etnias do Paraná tem a participação do grupo holandês, com exceção do ano de 2013. Um evento que reúne diferentes comunidades étnicas do Estado e terá sua edição de 2020 totalmente virtual.


A apresentação do Grupo Folclórico Holandês da Castrolanda será no dia 19 de agosto, às 20h, com transmissão pelos canais oficiais do Festival.

Será um compilado de danças apresentadas em festivais anteriores, numa maneira de preservar a tradição do Festival que, mesmo em meio a pandemia, precisou se reinventar.

Quem conta pra gente é Miriam Machado Wanderbist, coreógrafa do grupo adulto do Folclore Holandês de Castrolanda. Atualmente as apresentações reúnem em torno de 76 integrantes, somando os dançarinos do adulto, equipe de colaboradores, o Boerenkoor (Coral dos Fazendeiros) e o Grupo Folclórico infanto-juvenil da Escola Evangélica da Comunidade de Castrolanda. Por isso, diante da necessidade de isolamento social, os projetos e ensaios precisaram ser adiados.


“Foi uma surpresa e, num primeiro momento, nem chegamos a fazer reuniões on-line porque acreditávamos que seria por pouco tempo. Porém agora, com essa perspectiva de prolongamento do isolamento social, iniciamos com planejamento de desenvolvimento dos projetos para pós pandemia, por videoconferência”, relata.


A mudança foi realmente imprevisível e fez com que todos os grupos filiados à Aintepar se reinventassem. Mas nem todas as atividades puderam ser retomadas. Miriam está há 3 anos à frente da coreografia do GFHC e afirma que sem a interação presencial, os ensaios se tornam impraticáveis nesse momento.

“Nossas participações em eventos foram canceladas. Tínhamos previstas pelo menos uma apresentação mensal agendada até o final do ano. Mas sabemos que tudo isso vai passar”.


Sobre o uso da máscara, ela acredita que ela dificulta a respiração dos dançarinos e pode não ser tão eficiente, sem a devida higienização de mãos e de outros cuidados.


“Pensamos que a solução seja realmente a vacina, porém deduzimos que sim, as primeiras apresentações, após a liberação de eventos, terão de ser com uso de máscaras faciais e consequentemente os ensaios também terão de ter a utilização delas”.


Felizmente, o grupo não teve nenhum caso ou relato de infectado pelo vírus, nenhum aluno, colaborador ou familiar dos mesmos apresentaram sintomas da doença. Mas pensando na segurança de todos, o Festival virtual será uma forma de reunir o grupo e seus familiares novamente, cada um na sua casa, para relembrar os bons momentos vividos no palco do Teatro Guaíra.


“Era sempre uma alegria ir até Curitiba participar do Festival. Muitas famílias nos acompanham e é um dos eventos mais importantes que temos em nosso calendário anual”.


Ao longo de sua história, em 2009, o Boerenkoor (Coral dos Fazendeiros) também passou a integrar as apresentações do Grupo no Festival. Eles cantam músicas animadas em holandês, acompanhados pelo Draaiorgel (Realejo), do Centro Cultural Castrolanda. E no palco do Guairão é sempre uma atração a parte e que exige muito cuidado com o transporte do equipamento antigo.


Os trajes possuem como marca registrada o uso do Overall (macacão), com tamancos e um lenço vermelho, como os utilizados pelos trabalhadores nas fazendas na Holanda.


Trechos desta apresentação também estarão nesse compilado que será apresentado ao público pela internet no dia 19.

“Pode parecer clichê, mas queremos transmitir uma mensagem de otimismo e esperança à todos, de que este tempo de dificuldade vai passar e retornaremos as nossas atividades com muito mais amor e novidades pra todos que acompanham nosso trabalho”.

Galeria de imagens do Grupo em Festivais anteriores


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