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“Till, a Saga de um Herói Torto” retorna aos palcos do Festival de Curitiba

A tragicomédia do Grupo Galpão mostra um anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme.


Doze anos depois de sua estreia na capital paranaense, o espetáculo “Till, a Saga de um Herói Torto” volta aos palcos do Festival de Curitiba para uma dupla celebração: os 40 anos do Grupo Galpão e os 30 anos do evento. O espetáculo terá duas apresentações no Teatro da Reitoria, nos dias 4 e 5 de abril, às 21h.

A peça mostra Till como um típico anti-herói cheio de artimanhas e dotado de um irresistível charme. Um personagem encontrado em várias culturas, que se assemelha ao nosso Macunaíma ou Pedro Malasartes.


A saga cheia de presepadas e velhacarias começa com uma aposta. O Demônio diz a Deus que se fosse tirado do homem algumas qualidades o ser humano cairia em perdição. Deus, aceitando o desafio, resolve trazer ao mundo a alma de Till. Vivendo em uma Alemanha miserável, povoada de personagens grotescos e espertalhões, logo de início o protagonista é abandonado em meio ao frio e à fome e descobre que a única maneira de sobreviver naquele lugar é se tornar ainda mais esperto e enganador.


Além de Till e uma infinidade de rústicos personagens medievais, a peça conta também a história de três cegos andarilhos que buscam a salvação sonhando alcançar as torres de Jerusalém e lutar pelas cruzadas da cristandade. Quem interpreta Till é a atriz Inês Peixoto, que está no Grupo Galpão há 30 anos. Ela vê a peça como uma tragicomédia repleta de camadas.

“O espetáculo é como uma cebola: vai descascando e entendendo que atrás daquela situação visível tem outros problemas relacionados, como a questão social e política, a corrupção, a religião, o abandono da infância, entre outros”.

Till não queria nascer. Ele fica 5 anos na barriga da mãe e vem ao mundo sem perspectivas. Sobrevive sem ter capacidade de compreender a sua própria condição, pois vende a consciência. “A grande questão do Till é alma e o corpo desconectados de consciência. É o que o sistema cria: pessoas cada vez menos conscientes, preocupadas apenas em sobreviver. É mais fácil manipular massas que não têm consciência”, avalia Inês.

Mudanças

Desde a última apresentação da peça, em 2017, para a reestreia agora no Festival de Curitiba, o grupo preparou algumas mudanças. O jogo cênico está reaquecido. No palco, a história é contada de maneira vibrante. “Trabalhamos esse espetáculo com técnicas de bufonaria e com o grotesco, com jogo de cena forte, muita música e cenas engraçadas”.

Interpretar um personagem cheio de contradições é desafiador, diz Inês. “Eu amo fazer o Till. É um personagem incrível. Ele tem humor, leveza e quer sobreviver diante das mazelas do mundo. O Till faz trapalhadas com todo mundo para sobreviver, mas carrega em si uma inocência. Essa falta de consciência e de entender a utilidade da vida faz dele um ser leve. É uma contradição. Ele consegue achar graça nas coisas mesmo tendo uma vida miserável”.

40 anos do Galpão

Com 40 anos de trajetória, o Grupo Galpão mantém a base dos fundadores e a mesma essência desde a criação. O grupo é formado por atores, sem a presença de um diretor fixo.

“Nossa característica é encontrar pessoas, experimentar linguagens e mergulhar em processos diversos. O que marca o Galpão são os encontros, tanto com o público quanto com os diversos criadores que estiveram junto conosco nessa trajetória de 40 anos”, explica a atriz.

Vitamina artística

O Grupo Galpão tem tradição junto ao Festival de Curitiba, participando do evento desde a primeira edição. A atriz Inês Peixoto destaca a importância da retomada do Festival para a cultura nacional.

“Temos uma vida junto ao Festival e esse retorno é muito emocionante e importante para o Brasil e para o mundo do teatro. É um incentivo para que a arte continue. Recebemos o convite com muita alegria, como se fosse uma injeção de ânimo, uma vitamina artística”.

A longa história do Grupo Galpão com o Festival de Curitiba está devidamente registrada. O grupo mantém diários de cada espetáculo. No documento, por exemplo, consta que em 2010, na encenação de Till, foram 3 apresentações na Ópera de Arame, com média de público de 1.200 pessoas por sessão, e mais duas sessões ao ar livre, no Parque Barigui. Uma delas em um sábado, às 17h, sob forte temporal. “Molhou tudo. Mas, mesmo assim, fizemos o espetáculo”. No dia seguinte, um sol de rachar, conforme anotado no diário. “Quase morremos de calor e fizemos a peça para 800 pessoas. Boas lembranças”.


Mostra Lúcia Camargo

A Mostra Lúcia Camargo é apresentada por EBANX, Paraná Banco, Governo do Estado do Paraná e New Holland, com patrocínio de ClearCorrect, Vonder, SulAmérica e Novozymes.

Acompanhe todas as novidades e informações da Mostra Lúcia Camargo do Festival de Curitiba pelo site www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis, no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_Curitiba

Serviço:

“Till, a Saga de um Herói Torto” no 30º Festival de Curitiba Quando: 04 e 05 de abril às 21h Onde: Teatro da Reitoria (R. XV de Novembro, 1299 - Centro, Curitiba - PR) Valores: R$ 80,00 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) + taxa Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva do Shopping Mueller (piso L2), de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 14h às 20h. Classificação: Livre Duração: 90’

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