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Livro da premiada alemã Uljana Wolf recria poeticamente tensão entre linguagens e fronteiras

23.08.2019

Para divulgar a cultura da Alemanha e fazer a aproximação com o Brasil, além da aprendizagem do idioma, o Goethe-Institut Curitiba vem apoiando lançamentos de obras da literatura alemã, traduzidas para o português: “Procuramos divulgar, principalmente autores novos ou pouco conhecidos por aqui, como o mais recente, lançado neste mês: a antologia da poeta premiada Uljana Wolf, Nosso amor de trincheira, nosso trânsito de fronteira”, conta a diretora do Instituto em Curitiba, Claudia Römmelt. Os poemas de Wolf foram traduzidos e organizados pelo professor da Universidade Federal do Paraná Guilherme Gontijo Flores e pelo músico e fotógrafo argentino, radicado em Curitiba, Ricardo Pozzo.

 

Segundo Claudia Römmelt, apesar de premiada e conhecida na Alemanha e outros países, Uljana Wolf ainda não tinha nada publicado em português no Brasil. “No ano passado, tivemos o lançamento de traduções de obras de E.T.A. Hoffmann e do próprio Goethe, autores consagrados e que fazem parte do cânone da literatura alemã”, explica Claudia, “mas seguimos as duas vertentes, buscando trazer também o que temos de atual na Alemanha, autores novos e recentemente premiados”.

 

Tensão poética entre linguagens e fronteiras

 

“Aqui o que mais valeu, e assim confesso, foi a aventura. Este livrinho é uma metamorfose, talvez um plagiotropismo escancarado, ou mera assunção da vontade de escrever que nem Uljana, de viver nesse amor de trincheira, fazer do trânsito de fronteira toda uma vida”, diz um trecho da nota, publicada no livro, escrita por um dos organizadores e tradutores, Guilherme Gontijo Flores. Ele conta que o primeiro contato que teve com a obra de Uljana Wolf foi por meio do outro organizador e tradutor, Ricardo Pozzo, que por sua vez teve contato com a poeta, pela primeira vez, em uma reportagem do jornal El País.

 

Para Ricardo Pozzo, Uljana Wolf se apropria do que Ludwig Wittgenstein (1889-1951), filósofo da linguagem, descreveu em seu conceito de jogos de linguagem, transformando isso em algo mais radical. E a autora faz isso talvez pelas experiências que viveu, de diluição do significado da linguagem, em suas mudanças de continente. “Essa diluição, essa tensão, essa maleabilidade do significante e do texto me impressionaram muito, e como o Guilherme (Flores) é um fenômeno da tradução, achei que ele poderia compreender melhor essa estrutura”, contou Pozzo.

 

“Aquilo foi impressionante”, afirma Guilherme Flores sobre sua leitura da poesia de Uljana Wolf. Assim como Pozzo, Flores ficou tocado pela forma como a escritora transforma a tensão entre linguagens e fronteiras em poesia. Flores conta que ele e Pozzo começaram a traduzi-la para decifrar o trabalho dela, ainda sem intenção de publicação. O maior desafio nessa tradução foi recriar o efeito dos poemas extraídos principalmente do livro Falsche freunde (Falsos Amigos, de 2009), em que Wolf usa falsos cognatos (palavras de diferentes línguas, que se assemelham na forma ou no som, mas têm outros significados) entre inglês e alemão.

 

“A gente percebeu que nem a tradução inglesa nem a tradução espanhola tentavam recriar esse efeito. E que a única maneira de recriar esse efeito seria pegando duas outras línguas próximas, ou seja, o português e outra língua, para criar os falsos cognatos”, diz Flores. E foi o que fizeram recriando os poemas com português e espanhol, em um trabalho que foi, afirma Flores, “um experimento poético deliberado de recriação”.

 

Somente depois de terem traduzido vários poemas de Uljana Wolf veio a ideia de criar e publicar a antologia: “Foi uma ideia afetiva, no começo não tínhamos um projeto claro. Nenhum de nós é germanista e contamos com a ajuda dos amigos Daniel Martineschen e Norma Müller para trazer rigor ao trabalho”.

 

Nosso amor de trincheira, nosso trânsito de fronteira (Editora Moinhos), de Uljana Wolf, com organização e tradução de Guilherme Gontijo Flores e Ricardo Pozzo, está disponível para empréstimo na biblioteca do Goethe-Institut de Curitiba e à venda no site da Editora Moinhos (www.editoramoinos.com.br) e em livrarias independentes por R$ 45,00.

 

 

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