Cartola | Encarte na Faixa

Audiodescrição da capa e leitura da ficha técnica do álbum Verde que te quero rosa, de Cartola, lançado em 1977. 


Sugestão: Manoel Negraes;

Descrição: Amanda Nicolau;

Consultoria: Felipe Mianes;

Locução: Cinthia Gomes;

Edição de Vídeo: Diniz Candido

 

Uma iniciativa Encarte na Faixa.

 

Envie comentários e sugestões de capa pelo e-mail: encartenafaixa@gmail.com

Com certeza, muitos curitibanos – e amantes do samba – não sabem que o cantor, compositor e violonista Angenor de Oliveira (11/10/1908 – 30/11/1980) esteve na capital paranaense em 1977 para ser, pela primeira e única vez, jurado em um desfile de escolas de samba. Justamente, no mesmo ano em que o mestre do samba lançou “Verde que te quero rosa” (RCA Victor), álbum que inaugura a coluna Encarte na Faixa.

Cartola, que infelizmente entrou em um estúdio de gravação somente em 1974, aos 65 anos, apresentou ao público nesse terceiro disco composições belíssimas, cercado por instrumentistas geniais, como Abel Ferreira, Dino 7 Cordas, Altamiro Carrilho, Meira, Canhoto, Wilson das Neves e Marçal.

Entre as gravações, destaco “Verde que te quero rosa”, cores que escolheu para a escola de samba que ajudou a fundar, em 1928, e que batizou de Estação Primeira de Mangueira; “Tempos Idos”, uma homenagem singular ao samba; “Autonomia”, com arranjos e piano do maestro Radamés Gnatalli; e a minha preferida “Desfigurado”, com uma melodia contagiante.

No disco produzido por Sérgio Cabral, que traz texto de apresentação de Lúcio Rangel e uma das capas mais bonitas da música brasileira, Cartola também gravou “Nós Dois”, de 1964, composta para seu casamento com Dona Zica, com quem manteve por dois anos no centro do Rio de Janeiro o famoso restaurante Zicartola, onde Paulinho da Viola ganhou o seu primeiro cachê.

Além disso, o mangueirense registrou nesse álbum composições de outros dois mangueirenses famosos. A primeira é “Pranto de Poeta”, de Nelson Cavaquinho (com Guilherme de Brito), que participou da gravação e com quem Cartola compôs apenas uma música: "Devia ser condenada". A segunda é “Escurinha”, de Geraldo Pereira (com Arnaldo Passos), compositor também gravado por João Gilberto e Chico Buarque, que morreu após briga com “Madame Satã”.

E por falar em Chico Buarque, Cartola revelou, em uma entrevista pouco antes de morrer, uma promessa que tinha com o amigo de fazerem um samba juntos. Agora imaginem se essa promessa tivesse saído, hein? Que samba maravilhoso seria... Aliás, com tantas letras de Cartola guardadas e que ainda não viraram música, quem sabe um dia, não?

Obrigado Sérgio Porto, o famoso Stanislaw Ponte Preta, por salvar a música brasileira ao resgatar Cartola em 1956. Graças a um encontro na madrugada, o Brasil teve a possibilidade de reconhecer – mesmo que tarde – o pedreiro, tipógrafo e lavador de carros que usou a palavra e a música para encantar o mundo como poucos.

 

Fontes:

Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Programa MPB Especial (1973)

Programa Ensaio – Cartola (1974)

Programa Vox Populi – Cartola (1979)