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Francisco, El Hombre traz de volta a Curitiba seu ritmo quente e crítica social em pleno calor do mo


A banda de rua de outros tempos hoje toca em grandes palcos, mas a essência, constituída por seu ritmo contagiante, continua a mesma, ainda que a Francisco, El Hombre procure sempre novas maneiras de se expressar. Nesta sexta (24), a banda desembarca em Curitiba pela segunda vez no ano para sacudir a capital com sua explosão rítmica, em apresentação no Hermes Bar (Rua Engenheiros Rebouças, 1645 - Rebouças), a partir das 19h. Os ingressos variam de R$35 até R$70.

Para falar sobre o show na capital, cidade em que os integrantes dizem já se sentir em casa, conversamos por telefone, especialmente para o site Toca Cultural, com Mateo Piracés-Ugarte (voz e violão).

Nos dois últimos anos, a Francisco, el hombre fez shows frenéticos no Coolritiba Festival e pôde apresentar seu trabalho para um público mais extenso. Mas Mateo lembra que a história da banda na cidade começou aos poucos, em shows em praças, e a trajetória e relação com o público foram sendo construídas. Já são tantas apresentações na capital que o integrante não sabe dizer ao certo o total.

“É um dos locais em que mais tocamos e já estávamos com saudades.

Passamos várias vezes por Curitiba tocando em praças, depois em shows maiores, e fomos fazendo essa construção. Além do público que cultivamos,

temos na cidade uma rede de amigos”.

Os integrantes da Arnica Cultural, do Som de Arame e a da banda Trombone de Frutas, que também se apresentará nesta sexta no Hermes Bar, fazem parte dessa rede.

“Esse show vai ser mais forte, porque vamos chegar num lugar que já criamos raízes, que faz parte da nossa história e, além de tudo,

vamos tocar com o Trombone de Frutas”.

Assista:

Dessa vez, a banda volta num momento especial. As letras da Francisco, el hombre fazem críticas sociais, abordando temas como preconceito, discriminação, violência contra a mulher e o consumismo. Em plano calor da disputa eleitoral, os gritos do público de "Fora Temer" e "Lula Livre", comuns em seus shows, devem ser entoados com mais ênfase.

“A função do artista é levantar perguntas. Levantamos algumas questões que são respondidas no calor do show, com a galera cantando junto.

Esse show tem mais sentimento envolvido, não só por causa do golpe [contra a Dilma], mas também por conta do golpe eleitoral, na cidade em que o Lula está preso.

É um sentimento de tensão na hora da pergunta, mas, na hora da resposta,

o sentimento é de união. Isso agrega muito valor temporal para o show”.

Mateo revela que as músicas com tom político, sempre recheadas de ritmos quentes e poesia, surgiram de maneira espontânea, como uma necessidade de se comunicar com o público.

“Como banda de rua, tínhamos de chamar atenção da galera, falando sobre o agora.

Era mais uma necessidade de falar algo que tocasse as

pessoas do que fazer algo político”.

Hoje, Mateo vê a abordagem da banda como necessária, como uma forma de jogar luz sobre temas importantes.

“Está se falando sobre isso, o que é muito importante. Se a gente não fala, não brinca, deixa na escuridão. A partir do momento que falamos isso em coro, esse assunto vem à tona e gera reflexão”.

A banda que faz a galera cantar em uníssono que Bolsonaro é um “cara escroto, muito escroto” se mostra assustada com o desempenho eleitoral do candidato.

“Me assusta a popularidade que ele tem e como algumas

pessoas acreditam nessa fachada. É surreal!

Também me desperta a curiosidade de entender o que está por trás disso”.

Assista a outro videoclipe de Francisco, El Hombre - "Tá com dólar, tá com Deus":

A ousadia da Francisco, El Hombre não está apenas nas letras, mas também na maneira como eles conduziram a carreira. Quando se formou, em 2013, tomou uma decisão diferente de boa parte das bandas. Em vez de conciliar a música com outras atividades, optou por viver da música, colocando-a em primeiro lugar. Mateo diz que a escolha é possível, mas que não existe uma fórmula para dar certo.

“Definitivamente é possível. Cada um tem sua maneira de fazer. Nós descobrimos uma maneira que é viver sempre viajando, o que é mais barato do que viver parado. Não paramos de fazer turnê. Não pode parar de tentar, tem que sempre melhorar e não seguir fórmula de outras pessoas.”

Com um som cheio de misturas rítmicas, sotaque mexicano, letras em português e espanhol, bateria na frente do palco, a Francisco, el Hombre se tornou uma das bandas preferidas nos grandes festivais, não só brasileiros como de toda América Latina. Eles já se apresentaram no Vive Latino, no México, e no Lollapalooza Brasil.

“A banda é formada por várias identidades. Muitas coisas, como a bateria na frente do palco e as músicas em espanhol, fomos criando na estrada”.

O quinteto é formado pelos irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte e pelos brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Kozyreff e Rafael Gomes. Entre os principais sucessos da banda, estão as músicas “calor da rua”, “bolsonada” e “triste, louca ou má”. Esta última, inclusive, virou um hino feminista e tem um clipe (gravado em Cuba) que já contabiliza mais de 9,3 milhões de views no canal da banda no YouTube e é parte da trilha sonora da novela “O Outro Lado do Paraíso”, exibida na Globo.

Confira no vídeo abaixo o álbum completo "SoltasBruxa", lançado pela banda em 2016.

Novo disco

Depois do sucesso de SOLTASBRUXA (2016), a Francisco, el hombre prepara um novo álbum, que deve ser lançado no início do que ano que vem. E Mateo garante: o resultado será explosivo.

“Vem bem forte, bem frito. Uma fritadeira inteira, com tudo, e representa o que estamos sentindo dessa necessidade de explodir”.

De acordo com ele, o som está bastante diferente do trabalho atual, fruto da constante busca da banda por novas sonoridades.

“Isso é o que mais nos dá tesão: mudar e transformar. O que a gente não quer é ficar no mesmo lugar. Buscamos caminhar para frente”.

Banda se apresenta nesta sexta-feira (24) em Curitiba no Hermes Bar e no sábado (25) em Ponta Grossa, no Phono Pub (R. Balduíno Taques, 1334 - Centro), a partir das 21h. Os ingressos deste show de sábado custam R$30 (1º Lote), R$35 (2ºLote) e R$40 (No dia), e estão disponíveis no local.

Por Guilherme Bittar

Colaboração especial para o site Toca Cultural

FOTO DE CAPA: Jeff

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