AC/DC se despede do Brasil com três noites históricas em São Paulo
- Toca Cultural
- há 1 dia
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Atualizado: há 50 minutos
Com estádio do Morumbi lotado, última noite de apresentações teve solo de 20 minutos de Angus Young e fãs emocionados com despedida da banda do Brasil.

Por quase dez dias, São Paulo respirou AC/DC: três shows esgotados no Morumbis transformaram a capital paulista na grande capital mundial do rock em 2026. A banda australiana encerrou sua passagem pelo Brasil com uma apresentação arrebatadora, carregada de emoção, clássicos atemporais e a sensação de que o público assistiu a algo realmente raro. Segundo a produtora Live Nation, os três shows tiveram ingressos esgotados, com público de 70 mil pessoas em cada uma das noites de apresentações.
A cidade tomada pelo rock
Desde o primeiro acorde até o último canhão disparado, o estádio viveu um clima de evento histórico. Famílias inteiras ocuparam as arquibancadas e a pista, crianças nos ombros dos pais, gerações diferentes dividindo o mesmo coro em hinos que atravessam décadas. As tradicionais tiaras de chifrinhos vermelhos iluminavam a escuridão, criando um mar de luz pulsando a cada riff de guitarra e a cada solo.
Já o setlist foi um passeio completo pela história do AC/DC, equilibrando clássicos absolutos com faixas mais recentes. Não faltaram “Back in Black”, “Highway to Hell”, “Thunderstruck”, “You Shook Me All Night Long”, “T.N.T.” e “For Those About to Rock (We Salute You)”, cantadas em uníssono por um Morumbis lotado. A banda também mostrou força na fase atual ao incluir “Demon Fire” e “Shot In The Dark”, do álbum “Power Up”, que funcionaram perfeitamente ao vivo e foram recebidas como hinos pelos fãs.
Momentos icônicos e inesquecíveis
Parte da magia de um show do AC/DC está na forma como a banda transforma seus símbolos em rituais ao vivo. O sino descendo no meio do palco em “Hells Bells” fez o estádio inteiro vibrar, enquanto a chuva de papel picado personalizado com o nome “AC/DC” marcou o auge da catarse coletiva. No encerramento, os canhões em “For Those About to Rock (We Salute You)” deram o golpe final na noite, selando a apresentação com a assinatura visual que consagrou a banda nos palcos do mundo.

Havia também um sentimento de despedida no ar. Brian Johnson, hoje beirando os 80 anos e com um histórico recente de problemas de saúde, surgiu no palco com uma energia que desmentia a idade. Sua presença, cada vez mais rara em turnês longas, deu ao show um peso emocional especial: a sensação de que o público estava testemunhando um dos últimos capítulos dessa história ao vivo. Cada entrada de voz, cada interação com a plateia, parecia carregada de gratidão e entrega total. As pausas entre as músicas eram o tempo necessário para Brian recarregar as energia e retornar ao palco com entusiasmo surreal.
Angus Young, o maestro do caos elétrico
Se Brian é o grito, Angus Young continua sendo o corpo elétrico do AC/DC. Quase ao fim do show, o guitarrista presenteou o público com um solo de cerca de 20 minutos, caminhando pelo palco, caindo no chão, girando, e mantendo o Morumbis completamente hipnotizado. Foi o tipo de momento que separa um show comum de uma experiência gravada na memória. Em uma era de apresentações cada vez mais cronometradas, ver um músico se perder no próprio instrumento dessa maneira foi um luxo para os fãs.
A despedida que virou capítulo da história
Para quem conseguiu estar no Morumbis nessas noites, a sensação é de ter vivido algo que talvez não se repita. Se esta turnê marcar mesmo a despedida do AC/DC dos grandes palcos brasileiros, São Paulo pode dizer que fez jus ao momento. Por um breve período, a cidade não foi apenas um destino da turnê: foi a capital nacional do AC/DC, palco de um dos últimos grandes espetáculos de rock de arena em 2026.
Confira o registro da Toca Cultural, a partir das cadeiras superiores do estádio do Morumbi.












