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Do papel à liberdade: cartas antigas inspiram livro sobre emancipação feminina no início do século XX

A coordenação a pesquisa do livro foram conduzidas por Tatiana Dantas Marchette, doutora em História pela UFPR e sócia-fundadora da Factum Pesquisas Históricas.

Cartas esquecidas revelam lutas femininas do início do século XX em novo livro | Foto: Divulgação MidiaWix
Cartas esquecidas revelam lutas femininas do início do século XX em novo livro | Foto: Divulgação MidiaWix

Um conjunto de 59 cartas trocadas entre a escritora Mariana Coelho (1857–1954), portuguesa radicada em Curitiba, e Bertha Lutz (1894–1976), uma das principais lideranças do feminismo brasileiro, ganha agora edição inédita em livro e chega ao público como um importante documento histórico sobre a luta pela emancipação das mulheres no país.


A obra Mariana Coelho e Bertha Lutz: correspondências feministas como documentos históricos – Curitiba/Rio, escrita por Tatiana Marchette, Dyeinne Cristina Tomé, Raquel dos Santos Quadros, reúne e contextualiza cartas preservadas sob a custódia do Arquivo Nacional do Brasil. O material revela, em tom direto e por vezes intimista, os bastidores intelectuais, políticos e afetivos da mobilização feminina na primeira metade do século XX.


Mariana Coelho, 1935 | Foto: Acervo Arquivo Nacional do Brasil
Mariana Coelho, 1935 | Foto: Acervo Arquivo Nacional do Brasil

Nas correspondências, as autoras discutem temas centrais da agenda feminista do período, como o direito ao voto, à educação, à escrita, à publicação e à participação política das mulheres. Mais do que registros pessoais, as cartas evidenciam a construção de redes femininas de apoio, articulação política, produção intelectual e circulação cultural, fundamentais para o avanço dos direitos das mulheres no Brasil.


O conjunto documental permite acompanhar estratégias, dificuldades editoriais e a consolidação de uma atuação coletiva, inserindo Curitiba como um ponto relevante desse tecido sociocultural na transição da primeira para a segunda onda do feminismo, especialmente ao longo da década de 1920.


Além do livro, o projeto prevê ações de difusão cultural voltadas a diferentes públicos, como a locução das cartas, oficinas temáticas, passeios históricos por locais de Curitiba ligados à trajetória de Mariana Coelho e a divulgação por meio do site da Factum de acesso público, ampliando o alcance do conteúdo histórico e educativo. A iniciativa foi aprovada em primeiro lugar na área de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural pelo Edital nº 226/2023 do Mecenato Subsidiado da Fundação Cultural de Curitiba. O projeto é desenvolvido por uma equipe formada integralmente por mulheres, com atuação nas áreas de pesquisa histórica, educação, gestão cultural e comunicação.


A coordenação e pesquisa são conduzidas por Tatiana Dantas Marchette, doutora em História pela UFPR e sócia-fundadora da Factum Pesquisas Históricas. A coordenação executiva fica a cargo de Luciane Passos, administradora com ampla experiência na elaboração e gestão de projetos culturais e sociais.


 Bertha Lutz, em 1925 | Foto: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos
Bertha Lutz, em 1925 | Foto: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

A pesquisa e análise das correspondências contam com o trabalho das educadoras Dyeinne Cristina Tomé, doutora em Educação e estudiosa da trajetória de Mariana Coelho, e Raquel dos Santos Quadros, doutora em Educação com pesquisas dedicadas à atuação de Bertha Lutz e à história da educação no Brasil. Ambas também ministram oficinas formativas vinculadas ao projeto.


A locução das 59 cartas é realizada por Nyrlene Pamplona, jornalista e profissional da voz, vencedora do Prêmio Mulheres de Negócios em 2023.


O livro Mariana Coelho e Bertha Lutz: correspondências feministas como documentos históricos – Curitiba/Rio será lançado em março deste ano, em data a ser divulgada.


O projeto conta com incentivo do Programa de Apoio, Fomento e Incentivo à Cultura de Curitiba, da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba, além do incentivo do Centro de Diagnóstico Água Verde e do Consórcio Servopa.





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