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Exposição multissensorial estreia na Biblioteca Pública do Paraná 

há 6 horas
4 min de leitura

Com curadoria de Andressa Medeiros e obras das artistas Patrícia Graboski, Laura Kaiser e Paula Roque, mostra desafia a centralidade da visão.

Exposição é uma experiência corporal e multissensorial através de estímulos táteis, visuais, sonoros | Foto: Rodolpho Pajuaba
Exposição é uma experiência corporal e multissensorial através de estímulos táteis, visuais, sonoros | Foto: Rodolpho Pajuaba

Essa semana, a Biblioteca Pública do Paraná inaugurou a exposição "Eu Materia Estrangeira", uma experiência artística que propõe expandir as fronteiras da percepção e da linguagem. Com obras das artistas Patrícia Graboski, Laura Kaiser e Paula Roque, e curadoria de Andressa Medeiros, a mostra é o resultado de um processo investigativo iniciado em 2018, sobre as possibilidades somatos sensoriais da arte e da literatura. 


A exposição reúne 8 obras que subvertem a tradicional centralidade da visão nas artes plásticas, convidando o público a uma experiência corporal e multissensorial através de estímulos táteis, visuais, sonoros e vibráveis. O projeto ganha profundidade com a colaboração direta das artistas convidadas Laura Kaiser, escritora e artista cega, e Paula Roque, atriz e slammer surda, cujas vivências ajudaram a moldar as obras e os caminhos de comunicação do espaço.


A curadora Andressa Medeiros conta que a mostra nasce do desejo de explorar e experimentar procedimentos criativos.

"Na minha investigação, há uma necessidade de expandir os modos de pensar e produzir arte para e com diferentes corporeidades. Expandir a linguagem é ampliar fronteiras e se lançar no desconhecido. Ao mesmo tempo, é uma busca por uma arte que possa ser mais inclusiva e acessível a uma diversidade maior de corpos".

Além de somar estímulos, a exposição propõe o conceito de "espaço expositivo sensorial", onde o corpo do visitante é o principal mediador da experiência. "A visão nunca acontece de forma isolada: ela se relaciona com o ambiente, com o contexto e com o corpo que está naquele espaço", completa Andressa. 


Para a artista Patrícia Graboski, a acessibilidade é também uma possibilidade de ampliar os modos de existência e percepção da obra. “Buscamos deslocar ideias, pensamentos, desejos e afetos para diferentes dimensões da própria materialidade da exposição, como o som, a textura, a vibração, o ar, o espaço, o movimento, a proximidade, a contaminação", explica. 


Entre os destaques, estão duas instalações habitáveis nas quais o visitante é convidado a entrar fisicamente para experimentar a espacialidade. Uma delas traz ainda um "lado avesso", que amplia as possibilidades de leitura do público. A exposição conta também com esculturas táteis, experiências com movimento e uma obra sonora com acessibilidade estética tátil-visual, onde sinais de áudio de baixa frequência são convertidos em vibração.


A curadora ainda ressalta que a mostra se apoia na filosofia de Merleau-Ponty para propor uma percepção anterior à elaboração racional. "Primeiro estamos no mundo, somos afetados por ele e o percebemos; depois podemos nomear ou elaborar aquilo que aconteceu. Não existe a obrigação de chegar a uma interpretação ou a um julgamento sobre o que determinada obra 'quer dizer', porque a experiência acontece antes no corpo", afirma Andressa.



Artistas Convidadas

A artista Laura Kaiser, cega desde os 17 anos, em decorrência de glaucoma, comenta que museus e instituições tradicionais concebem espaços expositivos exclusivamente para a contemplação visual. "Quase sempre proibindo o toque ou até a aproximação", diz. “Nessa mostra, as obras não são apenas adaptadas para serem acessíveis; todo o processo de criação nasce considerando a diversidade. É fundamental reestruturar essa forma de pensar para que as pessoas com deficiência se sintam pertencentes e ocupem, cada vez mais, os espaços culturais", completa.  


Já a artista Paula Roque, que é surda, conta que as pessoas com deficiência auditiva encontram obstáculos em apresentações, filmes e músicas quando não existem legendas, intérpretes de Libras ou outros recursos de acessibilidade. Para ela, é fundamental que projetos pensem na acessibilidade desde sua concepção. 

“Isso permite que todas as pessoas possam participar, compreender e aproveitar a experiência artística. Assim, evita-se que adaptações sejam feitas apenas depois e garante-se a inclusão de pessoas com deficiência ou outras necessidades. Além disso, projetos acessíveis promovem igualdade, diversidade e participação social, tornando a cultura um direito realmente acessível a todos”.

Acessibilidade Ampliada e Mediação Diversa

Para garantir que a experiência estética seja verdadeiramente inclusiva e acolha a singularidade de diferentes corporeidades, Eu Materia Estrangeira conta também com uma estrutura de acessibilidade para visitas mediadas. 


Além de Obras com audiodescrição, textos em Braille, miniaturas táteis das obras e vídeos informativos em Libras, o projeto também oferece conforto para pessoas autistas e neurodivergentes, disponibilizando abafadores de ruído, bolinhas antiestresse e óculos escuros.


Também, para refletir a pluralidade do projeto, o público pode agendar visitas mediadas com o escritor e consultor cego Luis Andrade, o produtor de conteúdo Gianfranco (pessoa T21), a produtora de conteúdo surda Manu Dias e a artista e educadora sem deficiência Victória Velasquez. Vale lembrar que as inscrições devem ser feitas através do site da produtora, mediante o preenchimento de formulário.


Ainda, no dia 03 de outubro, acontece a distribuição gratuita do catálogo da mostra e um bate-papo sobre acessibilidade com artistas, produtoras e colaboradores, das 10h às 11h. A produção é assinada pela Ariramba Cultural, com coprodução da Fluindo Libras e apoio da Vias Abertas.


Serviço:

Exposição Eu Materia Estrangeira

Abertura: 21 de setembro, às 18h. 

Local: Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba - PR)

Visitação: Até 22 de outubro de 2026 I Segunda a sexta-feira, das 8h30 às 20h I Sábado, das 8h30 às 13h. | Entrada: Gratuita


👉🏼Inscrições para visitas mediadas: www.arirambacultural.com.br 


Lançamento Catálogo e Bate-Papo sobre acessibilidade:

Data: 03 de outubro. | Horário: 10h

Local: Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba - PR)


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