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Livro narra a travessia de uma esposa ao lado do Alzheimer

"Eu, Ele e o Alzheimer: A segunda fase da minha vida" é uma história sobre amor, permanência e reconstrução quando a memória começa a desaparecer


Francimar lança "Eu, Ele e o Alzheimer: A segunda fase da minha vida"
Francimar lança "Eu, Ele e o Alzheimer: A segunda fase da minha vida" (Foto: Divulgação)

A vida de Francimar Pinto mudou definitivamente em 2016. O marido, companheiro de décadas, entrou na fase grave do Alzheimer. Aos poucos, ele começou a esquecer pequenas coisas. Depois, esqueceu conversas. Rotinas. Partes de si. O que se apaga primeiro, nesses casos, não é apenas a memória: é a referência de quem se foi.


É dessa travessia silenciosa que nasce “Eu, Ele e o Alzheimer”, lançado pela Literare Books International. Em 176 páginas, a autora conduz o leitor por uma jornada que mistura amor, dor, violência psicológica, amadurecimento emocional e o cotidiano exaustivo e, muitas vezes invisível, de quem cuida.


Antes da doença, a história

O livro começa com o encontro. Francimar tinha 17 anos quando conheceu o homem que se tornaria seu esposo. Ele, 48. A relação nasce da amizade, atravessa rupturas, reencontros e amadurece entre diferenças de idade, expectativas e experiências de vida. O amor, segundo ela, não foi paixão avassaladora, mas construção, “um cultivo diário”.


A narrativa percorre o casamento, a maternidade e os primeiros sinais de uma dinâmica conjugal marcada por controle, insegurança e episódios que hoje ela reconhece como violência psicológica. A autora expõe, com honestidade, os silêncios que sustentam muitas relações e as crenças que aprisionam mulheres: medo de julgamento, culpa, necessidade de aceitação.


Psicóloga, mestre em Comunicação, pós-graduada em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo-Comportamental, a autora revisita a própria história com o olhar técnico que adquiriu ao longo da formação. O texto alterna lirismo e análise, memória e reflexão, sem perder o fio humano da experiência. 


O nome da dor

Quando o Alzheimer se instala, o livro muda de tom. O leitor passa a acompanhar não apenas a evolução clínica da doença, mas o impacto emocional em quem permanece. A obra descreve o que raramente aparece nos manuais: a solidão do cuidador, o luto antecipado, as despedidas que acontecem em vida. Não se trata apenas de acompanhar um corpo que envelhece, mas de assistir à dissolução progressiva da identidade de quem se ama.


O título não é casual. “Eu, Ele e o Alzheimer” aponta para um terceiro elemento que invade a relação. A doença deixa de ser um diagnóstico e passa a ocupar a casa, a rotina, a intimidade. É presença constante.


Ao mesmo tempo, a autora registra os pequenos instantes de ternura que resistem: um olhar, um gesto, um reconhecimento fugaz. São esses fragmentos que sustentam a permanência. 


A narrativa também funciona como um convite à reflexão social. Em um país que envelhece rapidamente, o livro expõe a urgência de discutir o cuidado, o suporte às famílias e a saúde mental de quem assume a função de cuidador. Francimar não romantiza o processo. Fala do cansaço, do medo, das dúvidas e da própria reconstrução. “Eu não escolhi ser cuidadora. A vida me chamou”, escreve no prefácio. Ao aceitar o chamado, diz ter descoberto versões de si que desconhecia: mais fortes, mais frágeis, mais humanas. A obra aborda vínculos, ressignificação e empatia. Mostra que é possível encontrar beleza no meio da dor, ainda que essa beleza seja discreta, quase sussurrada.

 

A segunda fase da vida

O subtítulo “A segunda fase da minha vida” resume o sentido do livro: o relato de uma mulher que se reinventa quando o roteiro original deixa de existir. Entre memórias, conflitos e aprendizado, “Eu, Ele e o Alzheimer” se consolida como um testemunho necessário. Tocante sem ser melodramático, técnico sem perder a sensibilidade, o livro amplia o debate sobre envelhecimento, relações conjugais e saúde emocional.


A obra fala sobre permanência. Sobre amar quando a memória falha. Sobre cuidar mesmo quando o outro já não reconhece quem está ao lado. E, sobretudo, sobre continuar existindo enquanto se cuida.


Serviço:

“Eu, Ele e o Alzheimer” - Livro de Francimar Pinto

Editora: Literare Books International

ISBN: 9788594555496

Largura: 14 cm

Páginas: 176

Peso: 150 gramas

Acabamento: Brochura

Altura: 23 cm


Informações: Débora Luz


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