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Projeto preserva legado de Nego Miranda com digitalização de 1.800 fotografias

Lançamento de portal com acervo fotográfico de Nego Miranda será no dia 17 de agosto, às 20h.

Trabalho fotográfico de Nego Miranda integra importantes acervos fotográficos brasileiros
Trabalho fotográfico de Nego Miranda integra importantes acervos fotográficos brasileiros

Há paisagens que desaparecem, costumes que se transformam. Construções, personagens e modos de vida que resistem apenas na memória. Ao longo de mais de quatro décadas, o renomado fotógrafo Nego Miranda se dedicou a registrar essas histórias antes que o tempo as levasse. Agora, parte desse legado está preservado e ao alcance do público.


Através do projeto “Nego Miranda – Acervo e Preservação” cerca de 1.800 imagens foram digitalizadas, garantindo a preservação de um dos mais importantes acervos dedicados à memória cultural e às paisagens da América Latina, com foco especial no Paraná, estado natal do fotógrafo, falecido em 2021.


As fotografias em breve estarão disponíveis em uma plataforma digital que é mais do que um repositório de imagens. O site www.negomiranda.com.br permite navegar por diferentes temas, épocas e territórios percorridos pelo fotógrafo e registrados a partir da observação atenta do mundo. Nele também será possível fazer o download de imagens para fins educativos e de pesquisa. O lançamento será no dia 17 de agosto, às 20h.


Nego Miranda deixou um legado marcado pela sensibilidade documental e pelo olhar cuidadoso sobre lugares e pessoas. Embora o Paraná ocupe posição central, suas lentes alcançaram diferentes partes do Brasil e do continente, reunindo imagens que revelam a diversidade de suas paisagens e marcas culturais.


A digitalização desse acervo foi uma medida essencial para garantir sua conservação a longo prazo. Grande parte desse material ainda se encontrava somente em suportes físicos, como negativos, slides e fotografias impressas, sujeitos à deterioração natural do tempo.


O trabalho ficou a cargo de uma equipe especializada em conservação e restauro, formada por profissionais renomados, como Tatiana Zanelatto Domingues, João Castelo Branco, entre outros. O projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e Governo Federal.


A disponibilização online do acervo amplia o acesso das novas gerações a essas imagens. Estudantes, pesquisadores, artistas e a comunidade em geral agora podem interagir com essa riqueza cultural de maneira ampla e dinâmica. O objetivo é estimular pesquisas, produções culturais e interpretações da obra.


A força da arte de Nego Miranda está justamente em sua capacidade de revelar o extraordinário presente no cotidiano. Em seus registros, a madeira de uma antiga construção, a geografia de uma serra, o gesto de um trabalhador ou a atmosfera de uma pequena cidade ganham dimensão histórica e poética.


Por isso, a execução deste projeto não só homenageia sua memória, como também fortalece o vínculo entre o presente e o passado, perpetuando seu legado e contribuindo para a valorização do patrimônio cultural latino-americano.


Sobre Nego Miranda

Nascido em Curitiba, Nego Miranda foi um dos mais importantes fotógrafos documentais de sua geração. Ao longo de mais de 40 anos de carreira, percorreu cidades, comunidades e paisagens registrando aspectos fundamentais da cultura, da arquitetura, do patrimônio e da vida cotidiana.


Teve no Paraná um de seus principais temas, resultando em um dos mais expressivos registros visuais já produzidos sobre o estado. Mas seu trabalho foi além: percorreu diferentes regiões do Brasil e também outros países, guiado pela convicção de que fotografar é preservar aquilo que o tempo inevitavelmente transforma.


Nego Miranda também estabeleceu um diálogo profundo com outras manifestações artísticas. Parte de sua produção nasceu do encontro entre a fotografia e a literatura de Dalton Trevisan ou a pintura de Alfredo Andersen. Em vez de apenas registrar cenários ou personagens, suas imagens buscam traduzir, em linguagem fotográfica, atmosferas, memórias e sensibilidades presentes nas obras desses artistas.


Autor de livros como “Engenhos & Barbaquás”, “Morretes, Meu Pé de Serra”, “Paraná de Madeira”, “Igrejas de Madeira do Paraná” e “A Eterna Solidão do Vampiro”, recebeu importantes premiações nacionais e internacionais e foi homenageado pela Câmara Municipal de Curitiba em 2018, pelos seus 40 anos de atuação profissional.


Seu trabalho integra importantes acervos fotográficos brasileiros e permanece como referência na documentação da memória cultural paranaense e latino-americana.


Informações: Cahuê Miranda

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