"O Morro Dos Ventos Uivantes" atinge primeiro lugar nas bilheterias no Brasil e no mundo
- Toca Cultural
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Em sua primeira semana nos cinemas, longa de Emerald Fennel levou 409 mil pessoas às salas, arrecadando R$9.6M em bilheteria durante o Carnaval

Estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi, “O Morro dos Ventos Uivantes” chegou com enorme sucesso nas telonas do Brasil e do mundo. Uma semana após sua estreia, 409 mil pessoas já assistiram ao filme da diretora e roteirista Emerald Fennel, resultando em uma bilheteria de R$ 9.6M. Durante o período de Carnaval o longa chegou a atingir o topo das bilheterias nacionais.
A trama traz um olhar totalmente novo sobre o clássico homônimo de Emily Brontë, apresentando a história de Cathy (Robbie) e Heathcliff (Elordi), que crescem juntos após o menino ser adotado pela família da jovem. Seus destinos são eternamente entrelaçados em uma mistura de amor, orgulho e sofrimento conforme suas vidas se aproximam e se afastam.
Embalado pela trilha sonora original de Charli XCX, o romance entre os dois atravessa os anos em um rastro de paixão e destruição. “O Morro dos Ventos Uivantes” está em cartaz em todo o Brasil, também em IMAX e em versões acessíveis.
O filme também conta com a indicada ao Oscar Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, o vencedor do BAFTA Martin Clunes e Ewan Mitchell.
Fennell dirige a partir de seu próprio roteiro. Os produtores são o indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA Josey McNamara, Fennell e Robbie. Sara Desmond e o indicado ao Oscar Tom Ackerley assinam a produção executiva.
Warner Bros. Pictures e MRC apresentam uma produção da Lie Still & LuckyChap Entertainment, um filme de Emerald Fennell, “O Morro dos Ventos Uivantes”. Distribuído pela Warner Bros. Pictures, o filme chega aos cinemas em todo o país em 12 de fevereiro de 2026.
O filme em suas diferentes versões ao longo da história
A história é clássica: trata-se de uma trágica história de amor e vingança ambientada na charneca inglesa. Foca no órfão Heathcliff, acolhido pela família Earnshaw, e sua paixão intensa e obsessiva por Catherine Earnshaw, que se transforma em vingança quando ela escolhe casar-se com outro. Mas ao longo do último século, ganhou versões diferentes no cinema.
Aliás, as adaptações cinematográficas de O Morro dos Ventos Uivantes costumam revelar mais sobre a época (e o cinema) que as produziu do que sobre a “fidelidade” ao romance: cada versão escolhe um recorte diferente do mesmo furacão emocional. Entre as mais vistas e comentadas, dá para perceber três tendências bem claras: romantizar a história, encará-la como saga gótica completa ou tentar uma experiência mais sensorial e áspera.

A versão de 1939, com Laurence Olivier e Merle Oberon, virou o modelo “icônico” em parte porque condensa o livro e elimina a segunda geração, filmando só 16 dos 34 capítulos e focando no par Heathcliff–Catherine. Isso muda o sentido do romance: em vez de uma narrativa de consequências e heranças emocionais, vira uma tragédia amorosa mais compacta, com moldura narrativa (Lockwood ouvindo Nelly/Ellen) e clima gótico clássico.
Já o filme de 1970 repete a estratégia de 1939 ao concentrar-se no período em que Catherine está viva e encerrar a história com a morte dela. A diferença é que ele “puxa” o material para um melodrama mais livre, chegando a acrescentar eventos que não são do livro (como um desfecho mais espetacular e reunificador) e, assim, reduzindo a ambiguidade moral que o romance sustenta por páginas.

Décadas mais tarde, uma nova adaptação foi refilmadaem 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, e é lembrada como uma das tentativas mais “valentes” justamente por cobrir as duas gerações e se aproximar mais do arco original do romance do que as versões que param em Catherine. Com isso, o foco não fica só no “amor impossível”, mas no estrago prolongado: vingança, classe, ressentimento e como o trauma se reproduz dentro da casa e da família.

Em 2011, Andrea Arnold vai na contramão do “romance de época elegante”: remove muito diálogo e aposta numa abordagem mais visceral e atmosférica. Também marca a história das adaptações por escalar, pela primeira vez numa grande versão cinematográfica, um ator negro como Heathcliff (James Howson), o que recoloca no centro a questão do “outsider” social e do corpo racializado no isolamento hostil dos charnecos.

Agora, em 2026, a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes chega inevitavelmente carregando o peso de um imaginário já saturado de versões “definitivas” — e justamente por isso o que mais se espera dela é algum gesto de risco: ou um mergulho radical no caráter incômodo e violento do romance, ou uma leitura que encare de frente as tensões de classe, raça e gênero que as adaptações clássicas frequentemente suavizam.
Depois de um século de Heathcliffs romantizados, seria menos interessante ver mais um casal trágico perdido na névoa e mais estimulante assistir a um filme que abrace o desconforto — o clima de confinamento emocional, a brutalidade doméstica, o ressentimento que atravessa gerações — e que dialogue com o presente sem se reduzir a atualizações cosméticas de figurino ou elenco.
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