Paraná entra com 4 filmes na Mostra do Filme Marginal
Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne filmes das cinco regiões do Brasil e de outros países.

De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.
Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; Bahia e Pernambuco, com oito cada. Paraná apresenta-se com quatro obras, sendo um longa sobre a veterana cineasta lésbica Rita Moreira e curtas sobre a inundação de Sete Quedas, o movimento Hip Hop na comunidade surda e a infância de um indígena como estudante nas Missões Salesianas.
Os filmes selecionados trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.
Paraná se destaca com produções de Curitiba, Foz do Iguaçu e Sarandi
Produzido entre Curitiba e São Paulo, o longa RITA MOREIRA: CRÔNICAS, MEMÓRIAS E VIDEOTAPE dá luz ao legado de uma figura emblemática da história LGBTQIPAN+. Partindo da ideia de que a memória é uma ilha de edição, a veterana cineasta e ativista lésbica Rita Moreira revisita sua trajetória através de seus filmes. Entre imagens da Nova York dos anos 1970 — onde se autoexilou durante a ditadura militar brasileira — e cenas mais recentes, do final dos anos 2010, o filme reflete sobre as transformações políticas, sociais e afetivas que atravessam tanto a história do Brasil quanto a vida da diretora.
Com 70 min. de duração, o documentário de Sérgio Santos Barroso contou com apoio da Lei Aldir Blanc. Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=hKPicOKYXfw

ONTEM LEMBREI DE MINHA MÃE aborda os impactos ambientais e sociais da inundação do Salto de Sete Quedas, em 1982, para a formação do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Realizado em preto e branco, o filme combina ensaio poético, denúncia social e reflexão histórica, resgatando a memória coletiva. Na ficção, um episódio da infância retorna à memória de um homem sem terra. Com argumento e direção do soteropolitano Leandro Afonso, pesquisador de direção cinematográfica, cinema brasileiro, cinema latino-americano e musicais, o projeto, de 23 minutos, foi realizado em Foz do Iguaçu, com apoio da Lei Paulo Gustavo.
MÃOS RAPPER, de Curitiba, integra a mostra como representante do cinema surdo, movimento estético-cultural formado por obras produzidas, dirigidas e protagonizadas por pessoas surdas ou membros da comunidade surda. Em uma cultura dominada pelo som e pela oralidade, o filme destaca o rap em Libras e a cultura hip hop na comunidade surda, tendo Dibi Boy — nome artístico de Diegho Silva — como um dos protagonistas. Dirigida por Giuliano Robert, a produção de 16 min. contou com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná e do Ministério da Cultura do Governo Federal, por meio da Lei Paulo Gustavo.
Representando o Norte do Paraná está SEBASTIÃO E O DIABO NA TERRA DOS FILHOS DO TROVÃO, documentário de 3 min., dirigido por Jonathan Rodrigues, de Sarandi, na Região Metropolitana de Maringá. No filme, Sebastião Miranda Lana, do povo indígena Tariano, conta como foi a infância estudando nas Missões Salesianas, onde seu povo era proibido de praticar seus costumes, sua língua, suas danças, fazendo parte de 500 anos de catequização forçada dos povos originários. O filme é resultado de uma parceria com o Museu da Pessoa, a partir do acervo de depoimentos da instituição.

Destaques do ano
A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.
Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, nessa edição chama a atenção a quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, do Amazonas. Também há nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.
Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.
Seis edições de cinema independente
A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.
“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.
A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.
SOBRE A MOSTRA
Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.
SERVIÇO:
6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada francaProgramação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
















Comentários