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Projeto registra memórias de dez territórios quilombolas no Paraná e lança documentário em Curitiba

há 4 horas
3 min de leitura

Iniciativa da Rede de Mulheres Negras do Paraná valoriza histórias, saberes e tradições preservados por mulheres quilombolas paranaenses.

Quilombo Castorina Maria da Conceição | Foto: Rede de Mulheres Negras (RMN-PR)
Quilombo Castorina Maria da Conceição | Foto: Rede de Mulheres Negras (RMN-PR)

Curitiba recebe, na próxima quinta-feira (08), o lançamento do Eixo Memória Negra no Paraná, projeto proposto pela Rede de Mulheres Negras do Paraná (RMN-PR) e que tem como principal objetivo preservar a memória quilombola do estado. A iniciativa conta com um documentário, que será exibido na quinta-feira a partir das 18h30, seguido de uma roda de conversa com integrantes de comunidades quilombolas. Além do documentário, o projeto prevê ainda a produção de um livro, com previsão de lançamento para dezembro. O evento será no Teatro Sesi, no bairro São Francisco e a entrada é gratuita.

“O Paraná é formado por histórias, saberes e memórias que atravessam gerações. Entre elas estão as histórias dos territórios quilombolas, das famílias que preservam seus saberes e das mulheres que, geração após geração, mantêm vivas tradições e modos de existir. É essa memória que vamos resgatar para reforçar que o nosso estado tem muita história negra em sua constituição”, conta Ana Claudia Justino, coordenadora administrativa da RMN-PR. 

Resultado de um trabalho de pesquisa, escuta e registro realizado em dez territórios quilombolas do Paraná, o projeto, que faz parte do Programa Akilomba, realizado em parceria com a Itaipu Binacional, busca contribuir para a conservação e a valorização das memórias que atravessam essas comunidades. Para o pesquisador do Programa, Ivan Luiz Monteiro, “registrar as memórias é importante para que nós tenhamos não apenas a consciência, mas também a condição de nos formarmos a partir de uma representação histórica verdadeira”, afirma.


E no centro desse processo estão as mulheres negras. Matriarcas e lideranças dos territórios aparecem nas produções como verdadeiras griôs, guardiãs de conhecimentos transmitidos pela oralidade. São elas que carregam e compartilham saberes sobre ancestralidade, cultura, relações comunitárias e tradições que permanecem vivas por meio da religiosidade, da culinária, da agricultura, dos contos e de outras práticas.


Para Ivan, a riqueza dessas narrativas está também naquilo que dificilmente aparece em registros acadêmicos. “O que me impressionou muito foi escutar as narrativas com dimensão mítica, dos contos, e isso, de fato, em obras acadêmicas não se encontram presentes” relata. Esta ação de lançamento também  integra as ações do Pontão de Cultura da RMN-PR, UBUNTU: Educação e Cultura Negra no Paraná e conta com apoio da Fundação Cultural de Curitiba. 


Paraná quilombola

Mais do que registrar informações sobre os territórios, a proposta é construir o projeto junto às comunidades quilombolas no estado. “Esse projeto se modula como um trabalho feito com as comunidades. São as comunidades narrando a sua história, como elas querem de fato que essa memória seja passada e não apenas alguém colhendo as informações”, explica o pesquisador.

Da esquerda para a direita, Almeri Fortunato Polo e Roseli Nunes Lemes Quilombo Castorina | Foto: Rede de Mulheres Negras (RMN-PR)
Da esquerda para a direita, Almeri Fortunato Polo e Roseli Nunes Lemes Quilombo Castorina | Foto: Rede de Mulheres Negras (RMN-PR)

As produções ajudam a evidenciar uma presença quilombola que é parte fundamental da história do Paraná, mas que ainda precisa ocupar mais espaços de conhecimento, cultura e comunicação. São registros que valorizam não apenas o passado, mas também a permanência e a potência de comunidades que seguem preservando e cultivando seus saberes, enquanto enfrentam desafios para permanecer em seus territórios.


A defesa desses espaços também faz parte dessa história: comunidades quilombolas seguem resistindo a diferentes formas de ameaça e às disputas que ainda colocam em questão o direito de permanecer onde suas famílias construíram suas vidas.

“O conceito de retomada diz muito sobre os territórios quilombolas do Paraná atualmente. Porque, em certa medida, foram tomadas vidas e condições existenciais, sem nenhum tipo de permissão dessas pessoas. E, de algumas maneiras, todas muito estratégicas e cheias de conhecimento, esse modo de existir foi retomado e ressignificado e, portanto, os territórios permanecem vivos e pujantes da sua condição de existência, de vida, que é potência. Alguns territórios já possuem sua titulação, mas outros seguem pleiteando”, finaliza o pesquisador.

Serviço:

Lançamento documentário Eixo Memória Negra no Paraná

Data: 08/10/2026 (quinta-feira)

Horário e programação: 17h – Abertura

Apresentação da Pri Pontes, com o solo Chão de Dentro

18h – Boas-vindas

Momento de acolhida, café, prosa e bate-papo.

19h – Exibição do documentário

19h30 – Roda de conversa

Após a exibição, teremos um momento de diálogo e partilha sobre o documentário e as experiências vivenciadas nos territórios.

21h – Encerramento


Informações: Ana Luísa Pereira


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