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Navalha na Carne Negra estreia no SESC da Equina nesta quarta (03)


Com 50 anos de história na bagagem, a peça “Navalha na Carne”, escrita por Plínio Marcos, o precursor do chamado “teatro marginal”, chega ao Festival de Curitiba sob a perspectiva do olhar negro. Serão duas apresentações no Sesc da Esquina (R. Visc. do Rio Branco, 969 - Centro), dias 03 e 04 de abril.

Os atores Lucelia Sergio, Raphael Garcia e Rodrigo dos Santos interpretam Neusa Sueli, Vado e Veludo, uma prostituta, um cafetão e um camareiro gay, que, nas palavras do crítico teatral Décio de Almeida Prado, fazem parte de um “subproletariado” – “uma escória que não alcançara sequer os degraus mais ínfimos da hierarquia capitalista”.

A direção é de José Fernando Peixoto de Azevedo, que usa câmeras para criar um “dispositivo-estúdio” em que as imagens são captadas e transmitidas ao vivo. “Presente o tempo todo em cena, a câmera, esse dispositivo de olhar e enquadramento, força a construção. O espectador vê o jogo em cena e compara com o corte que assiste na tela. Os monitores revelam a dimensão do corte, emoldurando o jogo e sua teatralidade”, explica o diretor, professor da Escola de Arte Dramática da USP, diretor e fundador do Teatro de Narradores (1997-2017) e colaborador do grupo Os Crespos, além de dramaturgo do espetáculo “Isto é um negro?”, que também se apresenta no Festival.

“Navalha na carne Negra” trata do que o texto chama de corpo-mercadoria. “Essa redução perversa da imagem do corpo preto produzida pela história da escravidão: a mercadoria-corpo que é a prostituta Neusa Sueli estancando a fome com seu sanduíche de mortadela; da sexualidade excessiva da “bicha” Veludo à sexualização do corpo negro, esse corpo-objeto, ao qual não se concede o direito ao desejo; e, a partir daí, até a fantasmagoria viril chamada Vado, cuja expressão é a imitação de uma violência cuja gramática constitui uma gestualidade macaqueada da violência naturalizada na figura do macho nacional”, traduz Azevedo.

A atriz Lucelia Sergio é da Cia Os Crespos (SP), Raphael Garcia, do Coletivo Negro (SP) e Rodrigo dos Santos, da Cia. dos Comuns (RJ), grupos que têm extensa pesquisa teatral sobre o tema.

Autor de peças teatrais durante o período militar, Plínio escreveu “Navalha na Carne” nos anos 60. O espetáculo foi levado pela primeira aos palcos em 1967, mas foi censurado e somente voltou a cena 13 anos depois.

A venda dos ingressos será pelo site www.festivaldecuritiba.com.br, pelo aplicativo “Festival de Curitiba 2019” e nas bilheterias oficiais do evento, no ParkShoppingBarigüi (Piso Superior – Lado Norte), de segunda a sexta, das 11h às 23h, no sábado, das 10h às 22h e, aos domingos, das 14h às 20h; e no Shopping Mueller (Piso L3), de segunda a sábado, das 10h às 22h, domingos e feriados das 14h às 20h.

Fotos: Sergio Fernandes

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