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De volta a Curitiba, Os Gêmeos apresentam retrospectiva artística no MON

Gustavo e Otávio Pandolfo retratam toda trajetória no mundo das artes desde a infância, com exposição inédita e grandiosa.

Ousadia dos artistas na fachada é inédita na história do Museu | Foto: Toca Cultural

E eis que a espera chegou ao fim! Há pouco mais de um mês, os artistas gêmeos Gustavo e Otávio Pandolfo desembarcaram em Curitiba para dar início a maior exposição de suas vidas. E o local escolhido foi o Museu Oscar Niemeyer.


Referência no cenário artístico brasileiro, pela primeira vez na história, o MON ganhou um novo colorido em parte de sua fachada. Os artistas, reconhecidos internacionalmente pelas intervenções em graffiti, criaram uma pintura inédita que aguçou a curiosidade de turistas e moradores. E virou uma verdadeira atração! Durante vários dias consecutivos, no final de agosto, a obra foi sendo criada pelas mãos de Gustavo e Otávio, atraindo centenas de visitantes e curiosos.


"A gente ficou surpreso, pois vimos até turmas inteiras de escolas, que organizaram excursões espontâneas e vieram até o jardim do museu para ver Os Gêmeos de perto e em ação", disse a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika.

E foi realmente um sucesso! Agora, com a abertura oficial da exposição nesse fim de semana, a espera acabou - pelo menos para quem garantiu seu ingresso com antecedência.

Fila de visitantes para conferir a exposição "OSGÊMEOS - Segredos" | Foto: Toca Cultural

Logo no primeiro dia, centenas de visitantes fizeram fila para conhecer as obras dos Gêmeos. O saguão ficou bem movimentado e a entrada foi sendo liberada aos poucos, seguindo todos os protocolos de segurança, como o uso obrigatório de máscaras e álcool em gel.


Mas pra quem não conseguiu entrar, além da pintura na fachada do lado de fora (que será temporária), outra pintura - mas esta, permanente - pode ser admirada pelo público, numa das paredes aos fundos do museu. É um graffiti que homenageia o universo hip-hop e conversa com as demais obras de acervo dispostas no pátio das esculturas.


"Pra quem não sabe, ali atrás, naquela área do saguão, antes da pandemia era onde sempre a galera do hip-hop, os B-Boys e B-Girls de Curitiba se encontravam pra dançar. Então a gente quis deixar ali uma homenagem pra eles", contam os Gêmeos.
Patio das esculturas ganhou pintura permanente d'Os Gêmeos | Foto: Toca Cultural

Já para quem entrou no MON, pôde conhecer mais a fundo toda a trajetória artística dos irmãos, percorrendo a exposição a partir do túnel azul, no subsolo, até a entrada da torre principal. Logo de início, há uma série de painéis que fazem uma retrospectiva, desde a infância, adolescência, até os dias atuais, com fotos e imagens sobre toda a carreira de Gustavo e Otávio.


“OSGEMEOS: Segredos” é a primeira exposição de grande porte, que examina a produção dos artistas desde o começo da década de 1980 até a atualidade. O curador da mostra, Jochen Volz, é também diretor-geral da Pinacoteca de São Paulo.


"A gente já estava com essa ideia de mostrar a história dos artistas dentro de um museu. Começou há quatro anos, em São Paulo. São artistas presentes no nosso imaginário, autores de produções que aparecem e desaparecem nas ruas, que estão em nossa volta no dia a dia, e as pessoas pouco conhecem a trajetória desse universo", destaca Jochen.

E essa parceria entre as instituições, deu certo! Eis que agora chegou o grande dia do público em Curitiba ter acesso a toda essa história artística também.


Na mostra, o visitante simplesmente desliga o celular e entra nesse universo de pura magia e encantamento, com mais de 800 itens dispostos em paredes e galerias expositivas, com desenhos e cadernos de anotações. É pra ver e sentir!


Subindo as escadas da torre do MON, o visitante se depara com todos esses elementos do hip-hop, do break, da arte de rua, por meio de uma série de pinturas, fotografias, esboços e objetos que marcaram a carreira dos artistas pelo mundo.

Galerias com os primeiros traços e desenhos | Foto: Toca Cultural
"Desde pequenos, sempre desenhamos juntos. O que um começava o outro terminava e a gente já sabia como continuar do ponto onde o outro parou. Uma vez até separaram a gente de classe e fizeram um teste, na escola. Para a surpresa de todos, tínhamos feito o mesmo desenho, sem combinar. Isso sempre foi muito natural pra gente, essa ligação", contam.

E é realmente impressionante! Para quem teve a oportunidade de apreciar estes dois artistas em ação, pintando a fachada o museu, aqui em Curitiba, já viu que é exatamente assim. Onde um começava um traço, o outro já sabia como continuar, como se fossem a extensão do corpo e da mente um do outro.


Por fim, no alto da torre, o visitante chega ao salão principal do Olho do Museu, que foi transformado em um ambiente lúdico e colorido, com grandes painéis, pinturas, instalações imersivas e sonoras, que permitem muita interatividade.


Escultura gigante é o grande destaque no salão principal do olho | Foto: Toca Cultural

“Mais do que nunca, a arte apresenta-se aqui como inspiração”, diz a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika.

“Ao longo desse período em que a exposição ficará em Curitiba, já estamos estudando lançar algumas atividades com os Gêmeos, gerar diálogos com artistas locais, dentro do tema apresentado para interagir ainda mais com o público”, revela.

Para os Gêmeos este é o lugar da arte, o de ocupar todos os espaços e inspirar mais pessoas. Eles contam que essa troca será muito importante, principalmente com quem tá começando. Quando estiveram em Curitiba pela primeira vez, na década de 90, também tiveram a oportunidade de estabelecer uma conexão com a cena artística local e foram apresentados ao Simples, um artista do graffiti conhecido na cidade.

"Têm muitos artistas talentosos aí fora. É fundamental essa troca, essa proximidade. Uma coisa que a gente aprendeu com o graffiti, na rua, é esse respeito ao trabalho dos outros. Aqui em Curitiba mesmo tem um movimento muito forte do graffiti nas ruas, a gente gosta de ver.
Obras realizadas pelo mundo | Foto: Toca Cultural

Eles destacam que o carinho dos curitibanos, especialmente ao longo dos dias em que estavam pintando a fachada do museu, foi algo marcante e impressionante, que vão levar pra sempre no coração.

"A gente tá muito feliz, a gente tá aprendendo muito, com essa experiência no museu, com a cidade, enfim... Essa troca que tivemos com as pessoas foi muito importante, foi uma das maiores receptividades que tivemos na nossa história inteira. Foi inacreditável, o carinho que a gente sentiu, foi algo que vamos levar pra vida, foi maravilhoso. A gente quer agradecer a todos vocês. Queremos que quando você entrar na nossa exposição, desligue de tudo, deixe todos os pensamentos negativos do lado de fora, desligue o celular e se deixe levar pelas sensações. Será inesquecível", destacam.


Os artistas


A dupla de artistas formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo (São Paulo, 1974) construiu uma trajetória no mundo das artes sem nunca ter perdido de vista o desejo de manter-se acessível ao grande público.


Eles estiveram em Curitiba em 2008, na exposição "Vertigem", também no Museu Oscar Niemeyer. Mas nada se compara a esta exposição "Segredos", que foi um resgate até emocional para os próprios artistas. Foi como uma busca pela própria história, pela própria essência, que acabou revelando os caminhos, a evolução do processo criativo dos dois, que começou lá na infância influenciado pelo irmão mais velho Arnaldo, que já desenhava.

"Quando a gente começou a colocar isso num galpão, pra organizar essa exposição, e dispor esses trabalhos nas mesas, pra organizar as datas, a gente começou a entender a nossa linha de pensamento, de criatividade, de como surgiu nosso estilo de desenho, as influências de cada ideia. A gente começou a descobrir relações entre os trabalhos atuais com nossos traços lá da infância, que tem a ver com nosso estilo, nossas mudanças e a evolução do nosso trabalho. Tem muito segredo que acabou aparecendo nessa exposição. É a primeira vez que as pessoas poderão ver nossos cadernos de desenhos, por exemplo. Estamos abrindo nosso baú, nossos segredos, para as pessoas".

Exposição "Vertigem", de 2008 no MON | Foto: Toca Cultural

O percurso artístico dos Gêmeos inclui a participação em mostras nas principais instituições internacionais, como o Hamburger Bahnhof, em Berlim, em 2019; a Vancouver Biennale, Canada (2014); o MOCA – Museum of Contemporary Art, em Los Angeles (2011); o MOT – Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio, Japão (2008) e a Tate Modern, em Londres, Reino Unido (2008); a Trienale de Milão (2006), entre outros.


Ao longo da carreira, os irmãos também receberam convites para criar para os principais espaços públicos de mais de 60 países, incluindo Suécia, Alemanha, Portugal, Austrália, Cuba, Estados Unidos – com destaque para os telões eletrônicos da Times Square, em Nova York (2015).



Gustavo e Otávio sempre tomaram o espaço urbano como lugar de vivência e de pesquisa desde o início de sua produção, em meados da década de 1980. Os artistas partiram de uma forte imersão na cultura hip hop, que havia chegado ao Brasil no momento em que os irmãos começaram a produzir, e da influência da dança, da música, do muralismo e da cultura popular para desenvolver um estilo singular, com atmosfera alegre, que acabou se tornando um emblema dos espaços urbanos pelo Brasil e pelo mundo.

Seus trabalhos contam histórias – às vezes autobiográficas – cujas tramas envolvem fantasia, relações afetivas, questionamentos, sonhos e experiências de vida.


Instalação de "Segredos" permite interatividade dos visitantes | Foto: Toca Cultural

Os Gêmeos mantém seu ateliê, até hoje, no Cambuci, antigo bairro de operários e imigrantes na região central de São Paulo, no qual passaram sua infância e juventude. A partir da década de 1990, suas experimentações – não só em graffiti, mas também pintura em telas e esculturas estáticas e cinéticas – ultrapassaram os limites bidimensionais, culminando na construção de um universo próprio que opera entre o sonho e a realidade.


"Objetos pessoais, como cadernos, fotos, desenhos e pinturas que datam desde a infância dos dois irmãos até hoje são apresentados ao público pela primeira vez, incluindo estudos e obras de arte que precedem em muito seus famosos personagens e lançam luz sobre as raízes de seu surgimento. Influências artísticas e colaborações são expostas ao lado de pinturas e esculturas recentes”, informa o curador, Jochen Volz.

A exposição “OSGEMEOS: Segredos”, realizada pelo Museu Oscar Niemeyer (MON), é uma produção original da Pinacoteca de São Paulo, apresentada pela Copel e viabilizada pelo governo do Estado do Paraná.


Serviço:

“OSGEMEOS: Segredos”

Produção original da Pinacoteca de São Paulo

De 18/09/2021 até Abril de 2022.

Museu Oscar Niemeyer (MON)

VENDA DE INGRESSOS exclusivamente on-line, pela plataforma Inti, mais informações aqui

Olho, Torre do Olho e espaços externos

De terça a domingo, das 10h às 18h

www.museuoscarniemeyer.org.br

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