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Fabiana Gabaskallás leva reflexão sobre conexão humana à Bienal de Curitiba

Com a obra “Seascape”, artista propõe um olhar sobre fronteiras, travessias e os vínculos invisíveis que conectam culturas, histórias e territórios.

Obra de Gabaskallás na Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba
Obra de Gabaskallás na Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba

A obra “Seascape: o que nos separa é também o que nos conecta”, da artista brasileira Gabaskallás, propõe uma reflexão sobre deslocamentos, memória coletiva, interdependência e conexão em um mundo, simultaneamente, fragmentado e globalizado. Esta é sua primeira participação na Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, um dos principais eventos dedicados à arte contemporânea da América Latina, em sua 16ª edição.

 

Com especialização em Cirurgia de Trauma e Endoscopia, Gabaskallás desenvolveu uma trajetória singular entre arte e ciência. Entre 1996 e 1998, mudou-se para Rochester, Nova York, para complementar sua formação médica. Neste período, passou a freqüentar cursos livres de fotografia e artes visuais. As primeiras pinturas já incorporaram esta interdisciplinaridade.

 

Em produção recente, a artista traduz sua pesquisa sobre o primeiro tratado médico feito para terras brasileiras, no período colonial. Da Mata Atlântica nasceu parte da farmacopeia nativa original, proposta para o tratamento de doenças tropicais relatadas pelos colonizadores. Em seu estúdio, a artista pinta telas de grandes dimensões, com vocabulário visual que transita entre a figuração e a abstração, com forte narrativa conceitual.

 

Usando pinceladas sobrepostas ou camadas espessas de tinta, cria superfícies densas e multifacetadas, imaginando a primeira paisagem avistada por artistas europeus, que tiveram a difícil tarefa de capturar a exuberante luminosidade da floresta tropical com suas paletas de cores europeias.


Fabiana Gabaskallás | Foto: Divulgação
Fabiana Gabaskallás | Foto: Divulgação

 

Para Gabaskallás, o papel da pintura como repositório histórico é inegável, como uma ponte desejável entre o passado e o futuro. Assim, ela propõe um novo registro dessas paisagens brasileiras, com as cores do século XXI.

 

Na obra “Seascape: o que nos separa é também o que nos conecta”, o oceano surge como metáfora central da condição humana. Construída a partir de 124 pinturas, em dimensões variadas, a obra transforma o mar em símbolo simultâneo de separação e aproximação, fronteira e fluxo, isolamento e pertencimento.


Ao longo da narrativa visual, Gabaskallás atravessa diferentes períodos históricos das grandes navegações às travessias atlânticas, da diáspora forçada às infraestruturas invisíveis dos cabos submarinos que sustentam a internet global para refletir sobre os vínculos permanentes entre povos, culturas e territórios.

“‘Seascape’ nasce da percepção de que o oceano sempre foi muito mais do que uma fronteira. Carrega memórias, deslocamentos, afetos, violência, trocas culturais e informação. Hoje, seguimos ligados pelas mesmas águas atravessadas pelos navegadores do século XVI, mas também pelos fluxos invisíveis de dados que percorrem os fundos oceânicos”.

Assim como em outras obras da artista, “Seascape” evidencia a influência de sua formação científica e seu olhar atento para os elementos naturais, criando uma experiência visual imersiva e contemplativa. Sua produção frequentemente aborda temas ligados à biodiversidade, ao tempo e às conexões humanas com o ambiente.

 

Para a artista, a participação na Bienal amplia o debate sobre pertencimento, conexão global e vulnerabilidade coletiva. “Participar da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba é especialmente significativo porque a mostra propõe refletir sobre limiares, fronteiras e transformações temas que atravessam profundamente esta obra. Vivemos um momento em que as noções de distância e separação são permanentemente redefinidas. A independência total é um mito geográfico. Estamos todos conectados e interdependentes", afirma Fabiana Gabaskallás.

 

A 16ª edição da Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba vai até 15 de novembro de 2026 e reunirá artistas brasileiros e internacionais em torno de discussões sobre território, deslocamento, identidade e os desafios contemporâneos que atravessam a experiência humana. A obra “Seascape” tem curadoria de Tereza Arruda referência internacional no mundo da arte em parceria com Adriana Almada.


Serviço:

“Seascape: o que nos separa é também o que nos conecta", de Fabiana Gabaskallás

16ª Bienal Internacional de Curitiba

Data: de 14/6 a 15/11 de 2026

Local: 1º piso do Museu Oscar Niemeyer

Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba 



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