Inaugurada, Ponte de Guaratuba terá abertura para veículos neste sábado, 2 de maio
- Toca Cultural
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Tráfego deve ser liberado a partir das 11h30 da manhã e vai reduzir o tempo de travessia para cerca de dois minutos.

Com 1.240 metros de extensão, quatro faixas de tráfego, ciclovia e áreas para pedestres, a Ponte da Vitória - como vem sendo chamada a Ponte de Guaratuba, era um sonho antigo dos paranaenses. Há mais de quatro décadas a movimentação em torno do embarque do Ferry Boat para atravessar a baía de Matinhos a Guaratuba, era um gargalo que só crescia a cada temporada de verão. O fluxo de veículos no litoral formava filas quilométricas e causava uma série de transtornos nas rodovias da região. Problemas que agora devem, finalmente, ficar no passado!
Com show de fogos, drones, música, bênção ecumênica e discursos políticos, o evento de inauguração da tão sonhada ponte marcou esta sexta-feira, 1º de maio, no Estado. A estrutura recebeu investimento superior a R$ 400 milhões e levou dois anos para ficar pronta. A ideia é reduzir o tempo de deslocamento entre Guaratuba e Matinhos para apenas cerca de dois minutos.
Mas antes da abertura para o tráfego de veículos, a ponte deve receber mais um evento emblemático: a primeira edição da Maratona Internacional do Paraná, que contará com provas de 10 e 42 quilômetros. Com 20 mil atletas confirmados, a primeira etapa da prova será neste sábado, 2 de maio, às 6h da manhã, partindo da Rua Antônio Rocha, nº 480, em Guaratuba.

A partir das 11h30 da manhã, a Ponte será finalmente liberada para a passagem de carros, mas os motoristas poderão utilizar a travessia somente até as 5h de domingo (3), quando a ponte será novamente fechada para a realização do segundo dia da Maratona. A liberação definitiva está mantida para domingo, às 10h, após o encerramento das provas, conforme programação oficial.
Durante todo o período, o controle do fluxo de veículos e a orientação aos motoristas serão feitos por equipes da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR). Até a liberação completa da ponte, a travessia por ferry boat na Baía de Guaratuba segue funcionando normalmente.
Histórico, desafios e novas adequações na região
Antes da era dos ferry boats e da ideia de uma ponte em Guaratuba, pequenos barcos de madeira cruzavam as águas para levar pedestres entre as duas cidades, no litoral paranaense. O serviço começou precário em 1949, idealizado por um casal recém-chegado da Alemanha.
Naquele tempo, Guaratuba era uma vila tranquila, mas isolada, tinha pouco mais de 4 mil habitantes. Somente mais tarde, por volta dos anos de 1960 é que inaugurou o formato de Ferry Boat que conhecemos hoje. Com isso, veio o desenvolvimento da região e um crescimento exponencial do turismo. Já em meados dos anos 70 e 80, começou a se perceber a necessidade de construção de uma ponte para agilizar essa travessia.
Foram décadas de estudos, entraves ambientais e políticos, na esperança de construir um projeto definitivo, para trazer avanço e progresso. Para se ter uma ideia, nas últimas temporadas de verão foram registradas mais de 1,5 milhão de pessoas na travessia utilizando o serviço de balsas que, agora, finalmente, será aposentado no local.

Diante da iniciativa do Governo do Estado do Paraná, sob a coordenação do DER/PR, as obras começaram em 30 de abril de 2024 e foram executadas pelo Consórcio Nova Ponte, vencedor da licitação pública. Para seus realizadores, este é um dos maiores marcos recentes da infraestrutura do Paraná, não apenas pelo impacto logístico e turístico, mas também por dois fatores que chamam a atenção em um cenário nacional: custo inferior à média e tempo de execução reduzido em comparação a obras semelhantes.
Com 1.244 metros de extensão e 19,6 metros de largura, além de 1.826 metros de acessos nas duas margens, a obra soma 3,07 quilômetros de intervenções. A configuração inclui quatro faixas de tráfego, duas em cada sentido, além de passeios laterais com ciclovia e espaço para pedestres. A estrutura combina um trecho em vigas pré-moldadas e outro estaiado, com 320 metros de comprimento, sustentado por duas torres de 40 metros de altura.
Foram necessárias 22 mil toneladas de cimento e o trabalho intenso de centenas de operários, que impactou a rotina da região. A Ponte de Guaratuba também foi a primeira do Brasil a utilizar concreto autoadensável em toda a sua extensão. Esse tipo de material possui alta fluidez e capacidade de preenchimento, dispensando vibração mecânica e reduzindo falhas como vazios internos. É uma tecnologia que dificulta a penetração de substâncias que causam corrosão das armaduras, ampliando significativamente a durabilidade da obra.
Mas as obras não param por aí. Mais estudos seguem em andamento para a abertura de novos trechos de rodovias de acesso na região para desviar o tráfego que deve se formar no centro da cidade de Guaratuba. Até lá, grandes caminhões, por exemplo, terão limite de carga e horários específicos para cruzar a ponte, e os veículos com Peso Bruto Total (PBT) acima de 26 toneladas terão acesso proibido, visando atender a demandas de segurança e infraestrutura.

A ideia é que a nova ponte não se transforme em rota contumaz para o transporte de cargas entre os portos de Paranaguá (PR) e Itapoá (SC), o que transformaria a travessia num caos para o trânsito de veranistas e moradores. Afinal, as BR-376 e BR-101, que conectam os dois estados, formam um grande corredor logístico, e como não haverá cobrança de pedágio para acessar a ponte, os organismos governamentais precisarão reforçar a fiscalização nos acessos de ambos os lados da ponte para esta não se tornar uma passagem corriqueira de grandes caminhões.
















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